Dezembro 06, 2008

Matemática e Basquetebol

"Ensinar basquetebol não me parece assim tão diferente de ensinar Matemática. Conheça o Matemático, Prof. Dr. Jaime Carvalho e Silva e treinador de minibásquete do Olivais."
Conheça nesta entrevista, aqui, o que pensa quem diz isto.

Novembro 10, 2008

Obras nas escolas: os "cobertos"!

São bem precisas: é inegável!

Se em algumas escolas a intervenção não vai além duma "lavadela" do rosto, noutras deita-se abaixo aqui, constrói-se acolá e novos conceitos de espaço vão tomando forma, mais ou menos adaptados às modernas exigências da actual escola multi-tudo (cultural, curricular, etc).

Também no caso da Educação Física, o ideal seria que se melhorassem as condições existentes, dentro de cada realidade: haverá escolas que não sentem necessidade de melhorar as suas instalações, mas a maior parte necessita intervenção. Seria fundamental, nomeadamente:
- a salvaguarda de espaços de aula para as aulas previstas, independentemente de condições climatéricas, ou seja, haver espaços cobertos para todas as aulas;
- garantir a existência de espaços polivalentes, no que diz respeito à abordagem das actividades previstas nos programas.

No entanto parece que, em várias escolas, estão a substituir ginásios por cobertos exteriores, os quais criarão mais problemas do que os próprios espaços exteriores existentes, quer ao nível da possibilidade de utilização dos pisos em termos de humidade, quer ainda na impossibilidade de utilização dos mesmos em situação de exercício no solo. As modalidades de interior ficam por abordar? Voltamos às escolas sem pavilhão? Avançamos para o conceito do Portugal Tropical, numa perspectiva muito mais informada sobre as hipotéticas mudanças climatéricas do futuro?

Além disso, a preservação das estruturas será um factor a considerar, tendo em conta o controlo visual destes espaços, bem como a sua localização, que se tornam mais expostos a actos de vandalismo, em especial aos fins de semana.

Neste momento, em que somos assolados por inúmeros assuntos bem preocupantes para a nossa classe de docentes, gostaria de ter a certeza que não andamos distraídos e que temos energia para lutar pelas condições de trabalho que merecem os nossos alunos e as futuras gerações.

Outubro 06, 2008

"Enriquecimentos curriculares"

"Caros colegas O COLEGA RESPONSÁVEL, João Pedro Lourenço, do CNAPEF, NA COMISSÃO DE ACOMPANHAMENTO DO PROGRAMA NO MINISTÉRIO DE EDUCAÇÃO, SOLICITA A TODOS A COLABORAÇÃO NA DENÚNCIA DE SITUAÇÕES DE INDIVIDUOS QUE NÃO TENHAM HABILITAÇÕES Profissionais ou próprias para a docência da disciplina de Educação Física no ensino básico OU QUE NÃO SEJAM Licenciados em Desporto ou áreas afins.
LER A MENSAGEM TRANSCRITA.Associação Portuguesa de Professores de Educação Física - APPEFIS
Av.D. Afonso Henriques, Escola secundária José Falcão 3000 COIMBRAwww.appefis.org

Colegas, Estamos prestes a começar de novo a fase de acompanhamento das actividades de enriquecimento curricular. Vamos ter a primeira reunão da Comissão de Acompanhamento do Programa (CAP) no dia 17 de Outubro. Em primeiro lugar, gostava de vos dizer que foi aprovado na última reunião desta Comissão no final do ano lectivo transacto (31/07/2008) uma declaração de agradecimento pelo trabalho voluntário desenvolvido pelos peritos das várias associações profissionais, ficando aquém daquilo que foi a nossa proposta (a DGIDC passar um certificado em como os peritos exerceram essas funções). Em segundo lugar colegas, quero-vos alertar para um facto que recentemente tive conhecimento e, a continuar a acontecer, irá com toda a certeza acabar por matar a nossa profissão e os principios de actividade física que sustentamos para o 1º ciclo. Soube por alguns colegas recém-licenciados que há entidades promotoras e parceiras das AEC, em conjunto com alguns agrupamentos e escolas não agrupadas, a colocar alunos do curso tecnológico de desporto a dar a AFD!!!! Parece que este gente pensa (e há por aqui com certeza alguns colegas nossos coniventes com esta prática) que o curso tecnológico de desporto prepara os alunos para dar aulas!!! Para além da qualidade da leccionação desta actividade, que se pretende de enriquecimento curricular, ficar irremediavelmente comprometida, quer pelo modelo de organização implementado, que já compromete principios educativos básicos, quer pela falta de certificação dos profissionais que garantem a leccionação das actividades, imaginem o negócio que isto não deve estar a ser para alguns à conta dos contribuintes, dado que isto está a acontecer ao abrigo do último ano do curso tecnológico, ou seja, no ano de estágio. O ano passado identificámos 1 situação destas em Cascais. Colegas, temos de denunciar esta prática vergonhosa que em nada dignifica a educação em geral e a educação física e os seus profissionais em particular. Assim, e para que possa defender com ainda maior conhecimento e capacidade de argumentação os nossos interesses profissionais já na próxima reunião da CAP de dia 17/10/2008 (que são os da educação em geral, e da educação física em particular), e na defesa de um dos nossos maiores principios desde que entrámos para a CAP (todos os professores que leccionam a AFD têm de ser licenciados), peço-vos que me façam chegar por email todos os casos que conheçam em que o artigo 12.º do Despacho n.º 14460/2008 esteja em incumprimento (Artigo 12.º Perfil dos professores da actividade física e desportiva: Os professores de actividade física e desportiva no âmbito do presente programa devem possuir uma das seguintes habilitações: a) Profissionais ou próprias para a docência da disciplina de Educação Física no ensino básico; b) Licenciados em Desporto ou áreas afins.) Colegas, já fui avisado no âmbito da CAP que as Direcções Regionais de Educação só irão actuar, não com base em suspeições que não identificam onde é que estão a acontecer as ilegalidades, mas com base em denúncias feitas com o nome dos locais, isto é, ou o nome do Agrupamento de Escolas, ou da Entidade Promotora/Parceira, daí que vos peça para me denunciarem todos os casos que conheçam relativos à falta de formação, que é suficientemente grave para nos deixar apreensivos. Com um forte abraço e saudações associativas, João Pedro Lourenço, CNAPEF."

Setembro 21, 2008

Nem carne nem peixe

A SPEF fez sair um parecer sobre o processo da avaliação do desempenho. Sobre ele o Ramiro Marques teceu um comentário com o qual concordo. Além disso a sensação que me fica é que nem é carne nem peixe. Mas pelo menos existe.
O que acham?

Andebol: alguns recursos variados.

No site do Anim'hand podem-se encontrar muitos recursos teórico práticos para o ensino do Andebol. Principalmente para quem domina a língua francesa é uma site a visitar frequentemente. Salientemos a qualidade do Andebol francês a nível mundial a que não é alheio, bem pelo contrário, o seu sistema de formação de atletas e treinadores. Pode linkar-se aqui.
Também na federação europeia de Andebol pode encontrar recursos muito úteis para a iniciação e treino deste desporto. Aqui no sector das publicações.
Outros lins que acho muito interessantes:
Revista da Federação Espanhola.
Um clube francês no seu cantinho dos treinadores. Depois de linkar para o site clique em C. d. E do lado esquerdo.
Um interessante blog brasileiro Apedagogiadoandebol.
E para quem quer formar árbitros de Andebol desde o nível mais elementar... aqui.
E claro, navegando pela net encontra-se muito mais...
Espero que vos faça bom proveito. Em próximos post irei expor alguns dos sites que costumo frequentar quando ando à procura de ideias sobre desportos ou EF.

Setembro 01, 2008

Divulgação pedagógica

João Batista Freire, um grande nome da EF brasileira, discorre aqui, duma forma simples e curta, sobre um dos maiores nomes da psicologia, Lev Vygotsky. A ler aqui.

Agosto 22, 2008

Mais ou menos Estado na prática do desporto

Desloquemos por breves instantes o nosso olhar do desporto “espectáculo” lançando-o no desporto “prática”. Passamos, então, do papel de observador - passivo, para o papel de actor principal - activo. Independente da sua condição – adulto mais ou menos jovem, com ou sem limitações físicas ou intelectuais, rico ou pobre,… – o que pode a prática desportiva fazer por si? O que pode fazer o desporto àqueles que estão sob a sua guarda? Presumo que estará a pensar em benefícios higienicistas, estará a pensar no seu potencial socializador, estará a pensar na sublimação da vida, na formação do carácter…

Pense agora no que você poderá fazer pela prática desportiva, sua ou dos seus concidadãos. Observe as condições de prática que tem ao seu dispor, se existe oferta variada, pense nas oportunidades (ou falta delas), enfim, pense nos meios que são colocados ao seu dispor pela comunidade onde está inserido para satisfazer uma putativa vontade de praticar desporto.

Este simples exercício pode ser o mote para se recentrar a discussão sobre o tema desporto a partir de uma importante dimensão – a prática desportiva. Apesar de vivermos num tempo em que o desporto espectáculo parece relegar para um plano secundário as restantes dimensões que o conceito encerra, há que procurar perceber como o Estado assume ou não a responsabilidade de promover a prática desportiva. E como já estamos num plano ideológico, há que procurar saber se o Estado deve ou não assumir essa responsabilidade ou se deve ser o mercado a determinar quem pode ou não fazer desporto.

Aguardo para ver como este tema será tratado no debate nacional sobre o estado da nação desportiva suscitado pelo presidente da Confederação do Desporto de Portugal.

Cumpridores de promessas alheias

O filme desta olimpíada ainda não terminou. Não só porque ainda há atletas em competição, como será necessário um período de nojo em que se faz o balanço e se relança a próxima olimpíada.

Precipitadamente, o presidente do Comité Olímpico de Portugal (COP), Vicente Moura, que anunciou o seu afastamento precoce da presidência do comité olímpico, ainda não deu sinais de ter percebido que cometeu um erro crasso “protocolarizando” resultados que não dependem directamente de si e para os quais ele não pode concorrer fora da arena de jogo. Por muita confiança que deposite nas capacidades dos atletas de elite, mesmo que justificada por resultados anteriores, ele nada poderá fazer para obstaculizar os resultados da concorrência directa e agir sobre os factores de rendimento de cada atleta em competição.

Ora, “protocolizar” medalhas a troco do incremento dos subsídios do governo, só para ganhar uns trocos, para o apoio aos atletas em cada ciclo olímpico é um erro de palmatória que apenas serve os interesses do próprio governo: por um lado, se correr bem, pode exibir os resultados e retirar daí os dividendos políticos; por outro lado, se correr mal, remete a culpa para a programação do COP. Aliás, nos dois intervalos deste filme olímpico (quando correu mal – eliminação do três atletas “medalhavéis”; quando correu melhor - medalhas da Vanessa e do Nélson) observámos os dois registos nas declarações prestadas à comunicação social pelo Secretário de Estado da Juventude e do Desporto.

Não deixa de ser curioso o paralelismo entre este episódio burlesco e os termos em que foi imposto aos professores um determinado modelo de avaliação do desempenho. Os professores, tal como os atletas, viram-se obrigados a resultados, embora desejáveis, insusceptíveis de garantir. O ME, neste caso, fez o papel do COP.

Triste sina a nossa!…

Brincar aos ciclos olímpicos

O presidente do Comité Olímpico de Portugal (COP), Vicente Moura, que ontem anunciou que pretende abandonar o cargo, defendeu esta quarta-feira que para Portugal ganhar as medalhas desejadas nos Jogos Olímpicos é necessário rever todo o sistema desportivo do País, na medida em que a acção única do COP é manifestamente insuficiente.
“Se é preciso vir aqui ganhar algumas medalhas é o sistema desportivo português que tem de responder. O COP, naturalmente, com certeza o Governo também, as escolas, o desporto escolar, autárquico e universitário. É todo o sistema integrado de desenvolvimento desportivo. Tem de ser tudo avaliado”, defendeu. (In: Correio da Manhã)
Invariavelmente, no final de cada ciclo olímpico, face à eterna insatisfação pelos resultados alcançados, depois de vermos rolar meia dúzia de cabeças, ecoa a trombeta de alarme: há que parar o país para um debate nacional sobre o estado da nação desportiva.
A moderadora que o país consagrou, depois de regressar dos banhos, agendará dois ou três Prós e Contras com os snipers convidados de sempre. Depois dos desabafos mais ou menos comprometidos dos sujeitos directamente envolvidos, das escapadelas por intervalos da chuva dos políticos e de dirigentes federativos, depois de serem crucificados meia dúzias de atletas desbocados, o país sossegará até final do próximo ciclo olímpico.

O circo do faz-de-conta é nauseabundo!

Urge rever todo o sistema desportivo do País não só pela legítima ambição de fabricarmos campeões, senhor presidente do Comité Olímpico de Portugal, mas, fundamentalmente, porque há que combater o analfabetismo motor das nossas crianças e jovens. E não me refiro à falácia da oferta de actividade física avulsa, como se infere da LBAFD (lei de bases da actividade física e do desporto). Estou a pensar no conceito amputado de desporto que os nossos representantes políticos nos querem impor.

Perdoa-me

Francis Obikwelu anunciou hoje [como o Obikwelu na sua prova, cheguei à notícia com algum atraso] o fim imediato da carreira no atletismo e pediu desculpa aos portugueses por não ir à final dos 100 metros, com o argumento de que era pago por eles para estar nos Jogos Olímpicos. (in: Diário Digital)
As declarações do Obikwelu tiveram um efeito imediato: serviram de padrão de uma atitude de autoflagelação pública para aqueles atletas que não obtiveram os resultados expectáveis. Um atleta cuja prestação olímpica fique aquém do que seria desejável deve ser crucificado em praça pública, a não ser que seja redimido através de um acto de contrição e peça desculpa aos portugueses, de preferência em directo televisivo. É a única forma de minorar a dor da plebe. Este veredicto popular é subscrito pelos penduras olímpicos - responsáveis federativos e ilustres representantes do povo –, que numa atitude sobranceira, despudorada e de populismo barato, aparecem invariavelmente a sacudir a água do seu capote.

Não entendo a necessidade de um atleta ter de pedir desculpas, em público ou em privado, depois de uma pretensa má classificação. Como expliquei (?) na entrada anterior, o que se espera de um atleta é que ele se comprometa com a sua transcendência. Se o fez responsavelmente nada mais há a exigir. É este o sentido da competição desportiva.

Entendo ainda menos a necessidade da utilização de um estranho linguajar economês para explicar insucessos desportivos. Mais do que pedidos de desculpas nós queremos perceber onde falhámos e por que não somos capazes de obter resultados desportivos consistentes.

Se o Obikwelu queria prestar um serviço público fora das pistas talvez devesse ter denunciado o fosso que separa a programação olímpica espanhola da portuguesa [realidade que ele bem conhece]. Como não é possível mexer no passado, pelo menos preparávamos melhor o futuro.

Ignorância olímpica

A excelsa capacidade de superação é um atributo de um desportista de elite. Que bom seria se todos nós fossemos capazes de captar e descodificar os sinais reveladores dessa capacidade. O fenómeno desportivo não teria, apenas, um quadro de referência: a contabilidade do merceeiro.
Pelo teor de alguns comentários depreciativos proferidos por dirigentes desportivos e profissionais da informação após putativos insucessos desportivos fico preocupado. Não deveriam eles olhar para o desporto olímpico e revelar a multiplicidade dos seus aspectos, exaltando a sua valia axiológica e antropológica, aceitando os limites e as limitações de todos?
No ideal olímpico perpassa a ideia de que todos podem vencer. Todos. Porque TODOS se transcendem face às suas circunstâncias. Eu sei, tal como qualquer atleta sabe mesmo que induza o espectador a pensar que não sabe, o significado da exaltação desportiva.

Como eu te percebo Marco Fortes!…

Agosto 15, 2008

Lágrimas de crocodilo

Laurentino Dias acredita que Portugal ainda vai ter "uma presença positiva"
O secretário de Estado do Desporto esperava que a primeira semana dos Jogos Olímpicos fosse já "de grandes resultados" para Portugal [...]

Nas esperanças infundadas em resultados desportivos avulsos, como as que foram reveladas pelo secretário de Estado do Desporto, reside um dos males do nosso desenvolvimento desportivo: a política de navegação à vista!

Julho 22, 2008

(GPS) Precisa-se.

A discussão e investigação no Desporto e Ed. Física em Portugal onde anda? Abafada nas salas e teses maçudas de Doutoramento?!

É pena.

Procura-se.
Ao vivo. A cores. E a respirar ar puro.
Procura-se.

Julho 10, 2008

O fim das mochilas?

Sinal positivo à Educação Postural!
É só um primeiro passo,... mas é sinal de esperança no futuro!

Projecto da Câmara da Maia
Pen drive substitui peso das mochilas dos alunos
10.07.2008 - 19h09 Sandra Silva PintoAs mochilas podem ter os dias contados. O mote do projecto “Caderno Digital” não é “Aprender sem livros”, mas a sugestão assenta-lhe como uma luva. No início do próximo ano lectivo, os alunos do ensino básico da Maia vão poder aceder a todos os conteúdos leccionados e trabalhos realizados nas aulas através de uma simples “pen drive”. Todo o peso dos livros e cadernos pode agora ser substituído por uma pequena caneta USB facilmente transportável no estojo, pendurada ao pescoço ou até no bolso.A iniciativa, pioneira no país, pretende simplificar o processo de estudo aos alunos – através de uma maior interacção multimédia com as novas tecnologias – e, também, expandir a ligação entre pais, educandos, professores e município.

Mais detalhes em http://ultimahora.publico.clix.pt/noticia.aspx?id=1335103&idCanal=58

Junho 25, 2008

Recursos de avaliação em Educação Física

Chegámos ao final do ano lectivo e concluímos as avaliações. Mas só numa primeira fase, porque agora que as notas de Educação Física entram na média do Ensino Secundário já surgem alguns pedidos de recurso, por parte dos Encarregados de Educação. É uma nova realidade para esta disciplina e há que estar preparado para lidar bem com ela.
O recurso é um direito que assiste ao aluno e quantos recursos, nomeadamente em situação de exame, noutras disciplinas, valeram subidas de vários valores nas classificações... Já nas classificações de frequência tal situação não é tão frequente, por várias razões perfeitamente justificáveis.
No entanto, as dificuldades dos alunos e seus encarregados de educação em fundamentar um recurso em Educação Física são ainda mais evidentes do que nas restantes disciplinas. E aqui uma das razões mais óbvias é a dificuldade de auto-percepção do desempenho, ou seja, de auto-avaliação do aluno.
Embora a prática da auto-avaliação seja comum a todas as disciplinas em todos os períodos escolares, a verdade é que nas disciplinas com testes teóricos os alunos não tendem a fazer um exercício reflexivo sobre o seu desempenho académico, mas tão somente fazem as contas mediante os resultados dos testes escritos, ainda que esta componente apenas valha uma percentagem da nota final. Depois “deitam uns pózinhos” nos TPC e eventualmente na oralidade, e o número bate mais ou menos certo com a nota do professor. Será este exercício promotor da competência de auto-avaliação? Será que os alunos compreendem através dele o seu desempenho e a sua evolução? As dificuldades são percepcionadas?
Quanto à Educação Física, o caso agrava-se porque a avaliação é sustentada essencialmente por observações directas dos desempenhos e não sobre registos escritos dos alunos, nos quais a uma pergunta do professor corresponde uma resposta do aluno. Esta fica ali registada para ser vista e revista as vezes que se quiser e para mostrar a quem se entender, sendo sujeita, ainda assim, às mais variadas interpretações por parte dos vários actores envolvidos.

As observações directas são efectuadas com maior frequência e, da primeira à última aula de cada unidade didáctica, facultam ao professor um conjunto de dados que lhe dão um conhecimento mais próximo do desempenho do aluno e o ajudam a avaliar de uma forma mais segura: o professor tem oportunidade de ver várias vezes e registar o desempenho dos seus alunos em cada item de avaliação, havendo ainda um momento formal em que o aluno tem oportunidade de mostrar o nível final que atingiu.
Numa disciplina de natureza prática como a Educação Física, a avaliação passa necessariamente por aqui. E, tal como nas restantes disciplinas, por mais que sejam referidos quais os critérios, sejam dadas indicações precisas sobre o desempenho desejável, é difícil para os alunos perceberem as suas dificuldades. Assim, na auto-avaliação em EF, é frequente os alunos manifestarem a opinião de que sendo assíduo o dez está garantido! E, de facto, um aluno verdadeiramente assíduo, de “corpo e alma”, seguramente consegue uma nota positiva e até acima do dez: mas para isso, tem que participar activamente nas aulas, esforçar-se por ultrapassar dificuldades, colaborar nas tarefas, … e, desta forma, valoriza não só a sua avaliação nas “Atitudes” e como beneficia a sua aprendizagem, como em qualquer outra matéria escolar. O problema é que os recursos nem sempre visam a passagem, mas a subida de médias... e convenhamos que a contabilização da avaliação da EF na média dos alunos ainda está entalada na garganta de alunos, pais e muitos professores...

Maio 01, 2008

O que importa esconder do exemplo finlandês.

“Los finlandeses, los europeos con mejores notas, tienen actividades deportivas todos los días.”

Há evidências nos estudos epidemiológicos que alertam para a importância da adopção de estilos de vida activos como meio de prevenir os riscos de doenças de essência hipocinética, das quais se destacam as cárdio-vasculares.
A adopção de estilos de vida cada vez menos activos, quando aliados aos problemas de obesidade, exige das entidades responsáveis pela Saúde Pública uma acção concreta dirigida à alteração de hábitos comportamentais. É necessário recorrer a um conjunto de estratégias diversificadas [a televisão e os meios de comunicação social jogam aqui um papel essencial] para sensibilizar as famílias para a necessidade de alteração dos seus hábitos de vida. A escola é chamada a colaborar. É indispensável convocar a educação física para dar o seu contributo. Apesar das recentes recomendações do parlamento europeu que desafia os estados membros a aumentarem o tempo semanal da Educação Física, o nosso governo parece incapaz de encarar o problema de frente. As pressões no sentido da redução da carga lectiva semanal fazem emergir o risco de se enveredar pelo caminho mais populista: a diminuição do peso das disciplinas pretensamente secundárias, entre as quais a Educação Física. Aliás, este caminho já foi iniciado, como comprova a presença muito subtil da disciplina nos cursos de educação formação, do ensino básico, e nos cursos profissionais, do ensino secundário.

E assim vamos cantando e rindo com a aposta centrada em programas de educação para a saúde inócuos já que se limitam a iniciativas esotéricas, como por exemplo, as acções de formação com “sabor a papel de música”. Há, no entanto, excepções que confirmam a regra: O programa Pessoa, ainda em fase de implementação, será desenvolvido no concelho de Oeiras e que parece bem desenhado para fazer face a este problema.

Isto vem a propósito deste texto da Glicéria e da sugestão de leitura do Ramiro Marques.

Site de Minivolei. Excelente

Um site de Voleibol simplesmente excelente que trata das fases iniciais do ensino do Minivolei.
Nele encontram-se sugestões de trabalho, documentos, videos... Enfim um site excelente para todos os educadores que usam o Voleibol como matéria educativa.
Aqui Pequevoley fica a ligação para lá.

Abril 20, 2008

Os cravos também se abatem!

… e há muitas formas de os abater!

Não bastavam as manhãs de sábado (que nalgumas modalidades se estendiam pelas tardes), não pagas, agora até para os feriados se marcam campeonatos! E o problema é que nem é um feriado qualquer, porque existem feriados que pouco nos dizem em termos de comemorações. Mas um feriado é um feriado. É feriado para todos! E existem feriados especiais. E este de que falo é um feriado especial, um feriado em que “ainda” se comemoram, com diversas manifestações uma data muito especial para o povo português. Um feriado em que, em tempos, até os cafés fechavam. Um feriado, em que todos deveriam ter a liberdade de poder usar a sua liberdade para comemorar como quisessem a data que relembra. Um feriado em que o Estado não pode mandar trabalhar funcionários cujos serviços não estão enquadrados na definição de serviços sociais necessários, ou mais especificamente serviços mínimos de apoio social.

No entanto, sem que exista razão para que isso aconteça, porque o calendário nacional não obriga a que seja necessário utilizar esta data, nas escolas da DREL há quem não possa comemorar este feriado como quer. Há professores, alunos e famílias de alunos a quem foi sonegado este feriado.

Falo do 25 de Abril.
Falo de Desporto Escolar.
Falo da DRELVT.
Falo de Campeonatos Regionais de algumas modalidades marcados para o dia 25 de Abril.

ATLETISMO DE PISTA - DRELVT - EAE Setúbal Norte - Pista Municipal da Sobreda - 25 de Abril
TÉNIS - DRELVT - EAE Lezíria - Clube de Ténis de Santarém - 25, 26 e 27 Abril

BASQUETEBOL (JUVENIS) - EAE Lisboa Oriental - agendado para Vila Franca de Xira/Loures - 19 Abril, foi adiado para Mafra - 25 de Abril


http://sitio.dgidc.min-edu.pt/desporto/Documents/campeonatos_regionais/DEscolar_Calendarização_Camp_Regionais_08_Final.pdf

Março 22, 2008

Divulgação: AF Actividade Física em Populações Especiais

O aumento crescente do número de licenciados na área da Educação Física e Desporto coincide também com o aumento da taxa de desemprego nesta mesma população. Assim, como resposta ao desafio que nos é colocado neste ultimo ano da licenciatura, decidimos apostar num tema que consideramos actual e acima de tudo com utilidade e interesse para a população referida.
Por estas razões, conjuntamente com o facto de ser cada vez mais, impossível entrar na escola, na área da docência, entendemos que são necessários novos olhares sobre a Educação Física, nomeadamente na vertente da Educação Especial, da Actividade Física e Saúde e da Recreação, Aventura e Lazer. Assim, uma vez que o desporto e a actividade física são actualmente parte integral da vida social, sendo catalogados como os pressupostos de referência de um conjunto de valores e regras que representam em si a força geradora da sua dinâmica e importância, decidimos apostar num tema que possibilita a visão e abertura de novos ramos e possibilidades de trabalho na área da Educação, Desporto e Saúde.


Pelas razões anteriormente referidas, esta Acção de Formação tem como objectivo sensibilizar, apresentar e promover a reflexão sobre novas oportunidades de emprego e consequentes temáticas que pela sua especificidade preocupam os técnicos e docentes que trabalham nas áreas de Educação Física, Desporto e Saúde.



LIVRO

Prefacio:
Professor Luís Manuel Gomes de Melo


Autores dos capítulos:
Prof. Dr.ª Helena Moreira - UTAD
Mestre Natércia Padilha - UTAD
Mestre Vitorino Cardoso – FCDEF – UP
Prof. Estagiaria Ana Brás
Prof. Estagiaria Florbela Aragão
Prof. Estagiaria Florinda Oliveira

http://afespecial-sabrosa.blogspot.com/

afespecial@gmail.com

Março 10, 2008

Ainda a propósito da municipalização da contratação docente

A municipalização da contratação docente, em nome dos ideais de descentralização, gestão de proximidade, conhecimento local, esconde, temo eu, uma agenda de fragmentação da classe docente e desprofissionalização dos professores.
A meu ver, as câmaras municipais não têm dimensão suficiente para se constituírem como tutela administrativa dos professores e das escolas. Além disso, num tempo de escassez de vaga e de desemprego de professores, a passagem das contratações para as câmaras pode ser um pretexto para pôr em causa a contratação colectiva e introduzir elementos de precarização do vínculo através de contratos individuais, tal como se verifica com o ensino do inglês e das outras actividades de complemento curricular no primeiro ciclo.
A intenção de passar as aulas de educação física e das áreas de expressão para a parte da tarde parece-me uma clara segregação do currículo e a menorização das áreas de expressão, que passarão, se isto for para diante, a ser vistas como actividades complementares, actividades de extensão, eventualmente facultativas, se os pais assim o quiserem. Todo o esforço que tem sido feito de constituir estas áreas curriculares como áreas de ensino e aprendizagem como as outras sofrerá com isto um rude golpe. Pestalozzi e Dewey devem estar a dar voltas na campa com tamanha tacanhez intelectualista.
Note-se que a concentração de horários da educação física (a manter-se o carácter obrigatório da disciplina) ditarão necessariamente um agravamento das condições de trabalho dos professores - até porque obrigará a um elevado aumento do número de alunos por professor com aglutinação de turmas.
O futuro não se me apresenta nada risonho, ou serei eu que estou a ficar demasiado azedo e pessimista?

Amândio Graça

Fevereiro 26, 2008

De luto pela educação

Passa já a palavra!!!

Estamos de Luto pela Educação
Se és professor, educador ou te identificas com a causa defendida por esta classe de trabalhadores: Coloca uma bandeira preta na janela da tua casa (pode ser pano de forro preto, leve para voar e sinalizar), como sinal de solidariedade e de união. Passa a palavra por msg, sms, jornais locais ou até nacionais e também na blogosfera.
Não te esqueças…Passa a palavra!

Fevereiro 23, 2008

delegação de competências

Ansiávamos pelo Decreto de delegação de competências e, mais uma vez, sentimo-nos defraudados!

De facto, os Coordenadores dos Departamentos Curriculares (CDC) poderão delegar competências noutros professores titulares, tendo em conta o número de docentes a avaliar e os respectivos grupos de recrutamento! No entanto, os avaliadores das outras áreas disciplinares serão avaliados pelo CDC.

Ou seja, embora não tenha habilitações académicas para leccionar as disciplinas dos restantes grupos disciplinares, que não o seu, os CDC, são considerados aptos a avaliar colegas dessas áreas científicas e pedagógicas, esses sim, habilitados por instituições de ensino superior a executar tais funções.

Assim, um CDC do grupo de Educação Física poderá delegar competências em colegas de Artes Visuais, Educação Tecnológica, Educação Especial ou Música.
Mas será o CDC a avaliar os colegas de outras áreas em quem delegou as funções de avaliador. Da mesma forma um avaliador de Educação Física será avaliado pelo seu CDC, proveniente das áreas acima mencionadas.

O mesmo se passa nos restantes departamentos: apesar das maiores semelhanças quanto à estrutura das aulas e a maior proximidade das áreas envolvidas, será exequível que um professor de uma área avalie colegas de outras para as quais não tem competências científicas e pedagógicas?

Se lermos atentamente as grelhas de avaliação vamos encontrar parâmetros que são bastante específicos, para observação e classificação, cada um deles, em 5 níveis. De entre todos, destaco estes:
- correcção científico-pedagógica e didáctica na planificação das actividades lectivas;
- adequação de estratégias de ensino e aprendizagem aos conteúdos programáticos, ao nível etário e às aprendizagens anteriores dos alunos;
- diversidade, adequação e correcção científico-pedagógica das metodologias e recursos utilizados;
- cumprimento dos objectivos, orientações e programas ...

Parece-me bastante fácil cairmos em erros de análise, tanto pela positiva como pela negativa, quer como avaliados quer como avaliadores.

E consigo rever vários exemplos:

Muitos de nós já experimentaram a necessidade de explicar a outros colegas de áreas diferentes a especificidade da nossa disciplina, relativamente à qual muitos adultos têm poucas vivências. Até quando se arrastam ao ginásio, deixam transparecer frequentemente a sua estranheza quanto ao clima das nossas aulas: barulho, confusão, mau comportamento, o “anti-pedagógico” apito, as corridas e os “pinchos” ou mesmo a desorganização são características para além das quais, alguns colegas, nada mais conseguem vislumbrar!
É que isto de ter os meninos todos sentados à sua frente, no mesmo lugar ou de os conhecer pelos números não tem nada a ver com a agitação desejável numa aula de Educação Física. As metodologias de trabalho, os materiais os objectos o os objectivos de trabalho são diferentes e sem identificar essas diferenças não há avaliação possível.

O bom-senso prima pela ausência e só não se dá conta disto porque só preocupa, para já, 4 professores por escola (os CDC)… mas, na minha opinião, vai mais longe, e toca fundo na dignidade profissional que cada grupo disciplinar merece.

Não será de estranhar que não se tenham lembrado deste pormenor, tendo em conta que, nas altas esferas, as habilitações específicas não são relevantes no exercício da gestão de qualquer empresa ou mesmo do país, …

Ou ainda, que esta situação sirva para diminuir a taxa de desemprego de alguns formadores generalistas que nos ensinarão, a expensas nossas, claro, como avaliar as várias áreas científicas e pedagógicas sem as conhecer.

Ou que, qualquer dia sejam apenas os pais ou os presidentes das juntas ou até os auxiliares da acção educativa a preencher as ditas grelhas, já que nós, professores, temos tanta dificuldade nessa tarefa!!!!

Fevereiro 16, 2008

Menos EF?

O Governo vai alargar ao segundo ciclo o conceito de «escola a tempo inteiro» que introduziu na antiga primária, reorganizando o horário e o currículo, nomeadamente através da concentração de disciplinas, disse a ministra da Educação em entrevista à agência Lusa.
Maria de Lurdes Rodrigues explicou que o modelo será muito semelhante ao do primeiro ciclo, sendo remetidas para «o final do dia» as actividades de enriquecimento curricular ligadas às expressões e ao estudo acompanhado, de forma a «concentrar na parte lectiva o essencial das actividades associadas à aquisição de competências básicas».


A decisão anunciada pela ministra da educação de reordenamento do elenco curricular no 2º ciclo irá remeter as disciplinas de 2ª ordem (na perspectiva de quem remete, obviamente) para o final do dia. Esta decisão política de escalonamento das disciplinas que compõem o currículo parece resultar de uma racionalidade técnica que revela a tendência para reduzir e encurtar a parte obrigatória do horário escolar, obviamente à custa da diminuição de horas das disciplinas consideradas menos nobres, como será o caso da Educação Física.

Esta decisão política necessita de ser devidamente explicada à luz de argumentos pedagógicos. No interesse da sociedade e dos alunos, o ME tem de esclarecer se estas medidas políticas encontram legitimação a partir daquilo que é pedagogicamente correcto e desejável e não a partir daquilo que é economicamente conveniente.

Não deixa de ser estranho que esta tomada de decisão (espero não passe de um equívoco plano de intenções) – a redução do número de horas a atribuir à disciplina de Educação Física e ao Desporto Escolar – ignore as recomendações do Parlamento Europeu que “Exorta os Estados-Membros a modernizar e melhorar as suas políticas em matéria de educação física, principalmente para que haja um equilíbrio entre as actividades físicas e intelectuais durante o período escolar (...) e convida os Estados Membros a apoiar a exigência de aumentar o tempo lectivo consagrado à educação física (...)”.

Não deixa de ser preocupante que as medidas de reordenamento curricular sejam equívocas quanto ao direito inalienável das crianças e jovens a uma educação integral. Seria uma lástima que através de um conceito enviesado de educação, o ME viesse a escamotear a relevância do domínio motor e corporal na escola.

Desejo sinceramente que o RELATÓRIO sobre o papel do desporto na educação não se encontre perdido numa sinistra gaveta “valteriana”.

Fevereiro 13, 2008

Adultos em miniatura

Como sendo uma aposta deste Ministério da Educação, as Actividades de Enriquecimento Curricular têm sido alvo de várias criticas em vários aspectos. Confesso que muitas duvidas se colocam a este projecto. Mas não é sobre isso que gostaria de falar. Algo mais importante me preocupa,...a criança. Um aluno que inicia o seu periodo de aulas às 8:30h e só larga às 17:30h, que pelo meio passa, no mínimo, 6 horas sentado numa sala de aula, a ter que prestar atenção a um ou mais professores, durante 5 dias da semana. Não estaremos a tratar os nossos alunos como adultos em miniatura (expressão utilizada no desporto quando se referia ao treino realizado por atletas mais novos, mas que estava direccionado para mais velhos)? Durante a Pré-primária e o 1ºciclo, a criança tem a capacidade e a NECESSIDADE de se mover, com espontaneadade, criatividade e principalmente LIBERDADE. O facto de se promover uma institucionalização dos tempos livres da criança, retirando dela o acto mais natural que ela tem que é BRINCAR, estaremos, provavelmente a pôr em causa o seu próprio desenvolvimento motor, psicologico, social, cognitivo, etc???? Sinceramente, me parece que a promoção das actividades de enriquecimento curricular, como forma de tomar conta das crianças, enquanto os pais trabalham, terão repercussões bastante graves no futuro! Nem mesmo na aula de educação fisica a criança pode brincar, tem de obedecer a regras e cumprir com os "desejos" do professor, sendo o adestramento motor prática comum em qualquer aula, uma vez que o próprio programa da disciplina assim o incentiva. Acho que não precisamos de esperar mais tempo para observarmos os efeitos secundários desta situação, cada vez mais as crianças apresentam maiores dificuldades de aprendizagem, enormes carencias motoras (quiça não caminharemos para uma analfabetização motora), constantes problemas de socialização e emocionais (fruto da institucionalização dos seus horários livres). Para terminar gostaria de deixar um sentimento que me vem assolando cada vez que vou dar aulas aos meus pequenotes, quando os vejo sair da sala de aula olho para eles e sinto-os como se tivesses estado prisioneiros numa cela fechada e que por momentos podessem sair à rua para ver a luz do dia!!!

Ministra diz que municípios vão poder gerir contratação e colocação de professores

Como primeiro post decidi trazer este artigo do jornal electronico do Público que me parece preocupante...
"O Governo vai dar às autarquias a possibilidade de gerirem a contratação e colocação de professores, disponibilizando-se para contratualizar com os municípios interessados a transferência dessa competência, anunciou a ministra da Educação, numa entrevista à agência Lusa. "O diploma prevê essa possibilidade. Havendo escolas e havendo autarquias disponíveis para essa experiência, o Ministério da Educação (ME) contratualizará os termos em que essa transferência pode ser feita", afirmou Maria de Lurdes Rodrigues, explicando que está em causa "tudo o que respeita ao recrutamento, gestão e colocação de professores". De acordo com a responsável, o diploma que desenvolve o quadro de transferência de competências para os municípios em matéria de Educação prevê a possibilidade de ser iniciado um projecto-piloto relativo a esta matéria. Apesar disso, a ministra ressalvou que a discussão sobre a transferência de competências relacionadas com a gestão dos professores "está um pouco mais atrasada" do que a negociação relativa aos funcionários não docentes. "Em termos de pessoal docente a discussão está um pouco mais atrasada porque nem as autarquias se sentem, em regra, com capacidade e com recursos necessários para fazer essa gestão, nem imagino que os sindicatos estejam muito disponíveis para a discussão desse assunto", explicou. A Federação Nacional dos Professores (Fenprof) exigiu este fim-de-semana a negociação do projecto de decreto-lei sobre a transferência de novas competências para os municípios em matéria de Educação, acusando o Governo de querer "desresponsabilizar-se" das suas obrigações. Para a maior federação sindical de professores, "é o Governo que define a formação e o perfil dos docentes, pelo que também deve ser ele a seleccioná-los a nível nacional, através de regras transparentes, justas e equitativas". Segundo o diploma que será aprovado "em breve" em Conselho de Ministros, as autarquias vão passar a assumir a responsabilidade pela gestão do pessoal não docente até ao 9º ano, a gestão do parque escolar e a acção social escolar nos 2º e 3º ciclos, assim como o transporte escolar do 3º ciclo."
Não sei se os meus caros colegas têm tido algum feedback sobre o que se vai passando com os professores que prestam aulas nas actividades de enriquecimento curricular, mas a subjectividade na atribuição de horas tem sido enorme, se é que me faço entender. O que acontecerá se as autarquias iniciarem esse processo de selecção e recrutamento de professores até ao 9ºano?

Fevereiro 11, 2008

Divulgação


Fevereiro 08, 2008

Questões de Identidade

Um video de uma comunicação interessante sobre questões de identidade profissional da Educação Física e dos seus profissionais. Poderia dar um bom ponto de partida para discussão...
Aqui

Janeiro 12, 2008

Alinhamento da Instrução

Um problema permanente que se coloca a quem ensina e treina é o de saber se aquilo que é o conteúdo do treino e a forma como se treina é o mais adequado para a preparação da sua equipa e para o desenvolvimento dos seus jogadores. A noção de alinhamento da instrução foca precisamente esta questão e pretende dar-lhe uma resposta efectiva, através da articulação deliberadamente planeada dos resultados esperados, das situações de ensino e treino estabelecidas para alcançar aqueles resultados e dos procedimentos adoptados para avaliar todo este processo (Launder, 2001; Siedentop, 1996). No que respeita aos resultados esperados, poderemos dizer que eles serão resultados autênticos na medida em que concorram para a melhoria da performance individual e colectiva, para o desenvolvimento da capacidade de jogo dos jogadores. A ideia de alinhamento da instrução requer congruência e similaridade entre as situações de prática e as situações reais de jogo. Quanto maior a similaridade entre qualquer situação de prática e o jogo real, maior será a probabilidade das novas aprendizagens se transferirem da prática para o jogo (Launder, 2001). Muitas situações típicas do treino são colocadas em questão pela manifesta falta de alinhamento com as exigências específicas do jogo, pelo baixo teor de transferência para o jogo, pelo que constituem de desperdício para o aproveitamento do tempo de treino. É evidente que o que há de mais parecido com o jogo é outro jogo, porém o jogo completo não oferece a quantidade de exercitação necessária para desenvolver os factores de rendimento que lhe estão subjacentes, basta pensarmos na quantidade de prática necessária para desenvolver e consolidar a competência de lançamento e no número de lançamentos que um jogador terá oportunidade de realizar num jogo. Na busca da prática perfeita, do alinhamento óptimo do treino com as exigências da competição – treinar como se joga, jogar como se treina -, Launder (2001) introduz um modelo de ensino dos jogos (extensivo a outros desportos), Play Practice, que se propõe desenvolver em paralelo o sentido de jogo (as componentes estratégica e táctica) e a capacidade técnica, através da estruturação de cenários de prática com ingredientes de jogo e estreitamente alinhados com a versão completa de jogo. O play practice junta-se assim a outras propostas de renovação das práticas de ensino quer no âmbito da educação física quer no âmbito do treino de jovens.

Professor Amândio Graça
(Excerto de um texto de apoio a uma comunicação ao Congresso de Baloncesto, Cáceres, Dezembro de 2007)

Janeiro 11, 2008

Novo colaborador

O Nélson Ramos é a mais recente aquisição para a nossa equipa de colaboradores regulares.
Bem-vindo e boas entradas!

Aproveito esta oportunidade para renovar o apelo a todos os colaboradores para que mantenham os serviços mínimos neste blogue... ;o)

Dezembro 28, 2007

Um voto para 2008

A Revista Horizonte, Educação Física e Desporto, deixou recentemente de ser editada, depois de cerca de duas décadas de vida.
Não sei exactamente quais foram as reais razões do facto mas penso que se prenderam fundamentalmente com problemas editoriais. O número de assinantes não correspondia à necessidade para manter uma revista dessa natureza.
Acho que esta situação é absolutamente negativa para o nosso grupo profissional de professores de Educação Física. E paradoxal. Então num momento em que há, mais do que nunca, um número acrescido de professores de EF e com uma formação mais profunda, como é possível que a única revista daquele tipo desapareça?
É evidente que reconheço que o desgaste de todos os colegas que vinham a arcar com as despesas de "trabalho" para que a revista se mantivesse deve ter jogado um papel fundamental.
Faço daqui um voto para 2008: que a nossa Revista volte às bancas e que todos aqueles que possam apoiar essa volta façam o que lhes for possível. Uma das coisas possíveis e muito necessária é que todos os profissionais da EF se façam assinantes da revista e que a mantenham e renovem por muitos anos.
E um bom 2008 para todos os professores de EF.

Dezembro 01, 2007

Pergunta

Do relatório do Parlamento Europeu que temos vindo a comentar retiro o ponto seguinte:
"13. Salienta a importância do exercício físico para combater a obesidade e evitar hábitos de
vida pouco saudáveis, o que terá repercussões positivas sobre a saúde dos cidadãos, mas
manifesta a sua preocupacão pelo facto de que o aumento das horas de trabalho e as
actuais condicões de emprego em geral não incentivam os trabalhadores a fazer
regularmente exercício físico e a praticar mais desporto;"
Pergunto: isto não será obra de um perigoso esquerdista infiltrado no corpo redactorial do relatório que está a dar uma alfinetada à desregulamentação e intensificação dos horários de trabalho tão caros às actuais cúpulas da UE?

Novembro 22, 2007

Desafio

No último post o Miguel trouxe-nos a identificação de alguns problemas da Educação Física nos países da União Europeia.
Começa logo pela seguinte frase que cito: "Orientação geral da educação física: os curricula existentes não proporcionam muitas vezes experiências pertinentes a nível pessoal e social e são contrários às tendências sociais e às tendências nas actividades extracurriculares".
Pergunta a fazer desde já: será que os nossos curricula de EF em Portugal padecem do mal identificado na frase acima e sua sequência (que poderão ler no post anterior e no relatório)?
Já agora eu começo por dar uma resposta pessoal. Penso que sim. Os nossos programas de EF que têm muita coisa interessante e positiva, têm alguns aspectos que sinto constituirem um espartilho a uma EF adaptada aos tempos e aos alunos de hoje:
-Tem um modelo de multiactividades que subentendem, pelo menos antes do Ensino Secundário, uma prática de demasiados desportos num mesmo ano lectivo. De tudo querer abordar pouco se aprofunda e consolida. Não estará nisto uma das origens do fenómeno dos eternos debutantes?
-O fenómeno anterior implica, com a necessidade de "cumprir os programas" que abordando tanta coisa não haja espaço para a exercitação.
-A preocupação anterior não levará, naqueles que querem cumprir os programas, a concederem pouco tempo a uma prática lúdica das actividades ensinadas? É que para cada actividade não haverá um tempo de experimentar, um tempo de aprender, um tempo de exercitar, um tempo de brincar, um tempo de aplicar e de avaliar o que se aprendeu. Saltitando demasiado de actividade há tempos que se perdem. Nuns casos só se brinca o que é pouco, noutros não há tempo para brincar, o que faz falta.
-Há demasiados alunos a quem as nossas actividades passam ao lado e para quem são nitidamente insatisfatórias. Os gordinhos, os desajeitados, etc, são realmente tantas vezes excluídos sucessivamente por um modelo desportivizado num sentido mal trabalhado pedagogicamente.
-A EF e o Desporto na escola tem de ser (em alguns momentos) tão entusiasmante como o são os jogos de computador se quiserem ganhar este desafio. É que a questão não é também, simplesmente de mais tempo para a EF.
O problema evidentemente não está só nos programas ou se calhar fundamentalmente nos programas. Mas não haverá aqui todo um programa de acção a realizar num futuro imediato?
O desafio do relatório de uma organização política europeia que agora apareceu é, penso eu extremamente aliciante para os professores de EF. A contrastar com estes tempos de tantos desafios nefastos da nossa política educativa interna.

Novembro 13, 2007

Problemas identificados

Há alguns problemas relacionados com a educação física na UE:
  • Orientação geral da educação física: os curricula existentes não proporcionam muitas vezes experiências pertinentes a nível pessoal e social e são contrários às tendências sociais e às tendências nas actividades extracurriculares: há uma orientação para programas de actividades ligadas ao desempenho e à competitividade. Se se quiser que a educação física se torne um instrumento para combater eficazmente a obesidade e o excesso de peso das crianças, é necessário promover elementos curriculares que atraiam todos os grupos de alunos. Com os jogos de computador a ganhar terreno como passatempo preferido das crianças, há uma necessidade cada vez maior de promover um estilo de vida activo e saudável entre as crianças e os jovens. Para estes grupos de jovens, o conteúdo tradicional da educação física tem pouca relevância para o seu estilo de vida.
  • A educação física corre o risco de ser cada vez mais marginalizada na escola. Nos últimos anos, o tempo atribuído à educação física em toda a UE diminuiu gradualmente: desde 2002, o tempo concedido foi reduzido de 121 para 109 minutos por semana para a escola primária, e de 117 para 101 minutos para a escola secundária - Os estudos realizados recomendam que as crianças e os adolescentes pratiquem diariamente algum tipo de exercício físico durante 60 minutos! Há indícios de que o que se anuncia oficialmente no que respeita à actividade física praticada nas escolas não corresponde à realidade no terreno, dado que a prática não respeita as obrigações ou expectativas legais. É necessário um controlo efectivo!
  • Ligado à questão acima referida, encontra-se o insuficiente financiamento das instalações desportivas; um financiamento inadequado das instalações, do equipamento e da sua manutenção e material de ensino encontra-se particularmente espalhado na Europa Central, Oriental e Meridional; os alunos com deficiências sofrem ainda mais as consequências desta falta de apoio financeiro.
  • É necessário olhar mais de perto os curricula dos professores de educação física a fim de apoiar a formação e a educação de professores de qualidade. É necessário que haja professores competentes e fiáveis que sejam capazes de conceber aulas de educação física que respondam às questões de saúde e que incentivem todas as crianças a participar. Uma educação física eficaz e bem sucedida exige professores especializados com uma boa formação.
  • Existe um fosso entre a edução física em actividades curriculares e nas actividades extracurriculares e paracurriculares. A ligação entre actividades curriculares e extracurriculares poderia ser reforçada.
  • Inclusão: as minorias étnicas têm taxas de participação em actividades desportivas especialmente baixas. O problema da participação já é preocupante durante o período escolar: as raparigas muçulmanas são um grupo especialmente sensível neste contexto. Um padrão semelhante de acesso restrito é evidente entre os jovens deficientes. Os jovens com deficiência têm muito menos probabilidades de participar em actividades desportivas extracurriculares ou paraescolares.
  • Não há ainda dados empíricos suficientes em muitos domínios relacionados com o desporto, a educação física e os seus efeitos na evolução social e sanitária.
Estas observações constituem a base das recomendações que o relator sugere no seu relatório no que respeita a medidas a tomar pelos organismos responsáveis, quer a nível europeu, quer a nível dos Estados-Membros, a fim de melhorar o papel do desporto na educação. (In: Relatório sobre o papel do desporto na educação, PE)

Recomendações que cairão em saco roto?…

Parlamento Europeu defende mais aulas de educação física nas escolas da UE
“O Parlamento Europeu defendeu hoje, ao aprovar um relatório sobre o papel do desporto na educação por 590 votos a favor, 56 contra e 21 abstenções, que a educação física deve ser obrigatória na escola primária e secundária, com pelo menos três aulas por semana. O relatório da Comissão da Cultura e da Educação do PE refere que em Espanha, Portugal e Itália os níveis de excesso de peso e de obesidade são superiores a 30% nas crianças com idades compreendidas entre os 7 e os 11 anos.

O PE propõe que o horário escolar inclua, pelo menos, três aulas de educação física por semana, embora as escolas devam, na medida do possível, ser incentivadas a ultrapassar este objectivo mínimo; para que haja um equilíbrio entre as actividades físicas e intelectuais durante o período escolar.

Os eurodeputados exortam os Estados-Membros a investir em instalações desportivas de qualidade nos estabelecimentos de ensino e nos centros de treino e afirmam ser favoráveis à concessão de incentivos aos clubes desportivos; que celebrem acordos de colaboração com escolas, estabelecimentos de ensino, centros de jovens, e outras organizações comunitárias ou de voluntariado envolvidas em projectos no domínio da aprendizagem ao longo da vida.

O aumento da obesidade em toda a Europa, nomeadamente entre os jovens, é alarmante e constitui uma grande preocupação no domínio da saúde pública. O número de crianças da União Europeia com excesso de peso e obesidade aumenta em mais de 400.000 por ano, para além dos mais de 14 milhões de cidadãos europeus que já têm excesso de peso (incluindo, pelo menos, 3 milhões de crianças obesas), indica o relatório de Pál SCHMITT (PPE/DE, HU).

De acordo com os dados do relatório, a obesidade afecta actualmente 21 milhões de crianças na UE. Na UE-27, o excesso de peso afecta quase uma em cada quatro crianças. Em Espanha, Portugal e Itália os níveis de excesso de peso e de obesidade são superiores a 30% nas crianças com idades compreendidas entre os 7 e os 11 anos. As percentagens do aumento do excesso de peso e da obesidade na infância variam, com a Inglaterra e a Polónia a registarem os maiores aumentos. Em termos gerais, as crianças estão em pior forma física do que a geração dos anos 70 e 80.

Não é tanto o aumento da dose de calorias que provoca o excesso de peso, mas a inactividade física: as crianças não comem mais, mexem-se menos, afirma o relator.

Nos últimos anos, o tempo atribuído à educação física em toda a UE diminuiu gradualmente: desde 2002, foi reduzido de 121 para 109 minutos por semana para a escola primária e de 117 para 101 minutos para a escola secundária.” (appefis)
Estas recomendações sugerem-me apenas dois breves comentários: o primeiro formula duas simples questões que traduzem a minha estupefacção diante da nossa triste realidade; o segundo traduz a minha desconfiança nos actuais responsáveis políticos quando confrontados com recomendações que sugerem a inversão do rumo das suas políticas.

1. Não sei o que dizer dos 90 minutos semanais de EF atribuídos aos profissionais? E o que pensar dos 45 minutos semanais atribuídos aos CEF’s?
2. Como enquadrar estas recomendações numa escola de matriz taylorista?

Riscos...

De tempos a tempos, numas e noutras escolas, mesmo em contextos sociais diversos, surgem umas ondas de preocupação com os acidentes na escola.
Jogar à bola, uma actividade que fez parte das brincadeiras de várias gerações anteriores à nossa, e que por enquanto ainda integra a ocupação dos tempos livres espontânea de uma parte dos nossos jovens, parece ser objecto de uma preocupação, na minha opinião, desajustada.

Já não bastam as limitações impostas, em termos de espaços disponíveis para brincar, nas ruas das cidades actuais, que por razões de segurança e não só, já não são uma opção, agora parece que nem na escola as crianças e os jovens podem alternar com alguma actividade física a longa inércia a que são submetidos na sua pesada carga horária semanal composta quase exclusivamente por trabalho sedentário, no qual, estar “calado” e “quieto” é sinónimo de bom comportamento. Se isto não é trabalho infantil …

Aqui que eles não nos ouvem, não é de admirar que não estudem muito fora das aulas ou que se “portem mal”, como frequentemente são acusados: não sei se nós, adultos, nos portaríamos melhor num esquema de trabalho semelhante… a ver por algumas reuniões de adultos…

Mas voltando ao assunto que aqui me trouxe…
Tudo na vida contém riscos, desde o atravessar a rua ao ficar em casa! Já vi dentes partidos pelas mais variadas razões… até por tropeçar num espaço plano!
Lembro-me de um filme em que o personagem principal, sendo mediador de seguros, enumerava em cada momento da sua vida as percentagens de risco associadas a cada gesto: andar na rua passando por cima das tampas de saneamento, comer amendoins da mesma taça de outras pessoas, comer bolo de aniversário, andar de elevador, andar de bicicleta, etc.

Também não me parece sensato negligenciar determinados riscos perfeitamente evitáveis, como andar de carro sem cadeira adequada, no caso das crianças, ou andar de bicicleta sem capacete… Eu própria também andei de bicicleta sem capacete, porque não era costume ou não havia tal chamada de atenção, na época, mas adiro sem relutância a esta medida preventiva de determinadas consequências de um acidente,… embora não proteja de todos os riscos possíveis, claro!

Quando vou buscar o meu filho ao infantário e ele aparece com a roupa toda suja e as unhas cheias de terra ou riscos de canetas, eu tenho a certeza de que brincou e se divertiu. O contrário já não me dá tais garantias!... Claro que preferia que não se magoasse, mas prefiro que brinque! Nada substitui as aprendizagens e as vivências proporcionadas pela actividade física que a brincadeira encerra.

A joelhada, a cabeçada e a esfoladela são riscos provenientes da prática de actividades físicas em que existe contacto, como o Futebol, mas não podemos ter a veleidade de pensar que tais actividades detenham a exclusividade destes riscos.

Aliás, tendo em conta os estilos de vida prevalecentes, hoje em dia, não posso deixar de pensar que os riscos inerentes à sua inactividade física serão bem maiores. Seguramente, os riscos de ver televisão a mais também não serão de negligenciar.

Claro está que a Educação Física vem logo à baila e daí a ser considerada uma actividade perigosa é um instante. E então para atribuir culpas à negligência dos respectivos professores, nem se fala.
Mas de uma coisa não tenho dúvidas: quanto menores forem as vivências motoras anteriores, maior será o risco de um aluno se vir a magoar.

Outubro 29, 2007

A qualidade (do ensino) - Um conceito polissémico?

As grelhas de avaliação do desempenho docente estão aí já ao virar da esquina. A ideia é avaliar a qualidade das aulas. Avaliador e avaliado serão confrontados com a falta de critérios apropriados para a avaliação da qualidade do ensino.
Recorro a um exemplo clássico, rebuscado num texto do professor Jorge Bento escrito em 1987, para evidenciar a falta de unanimidade e até alguma confusão que reina em torno deste assunto:
“Imaginemos que dois professores tinham combinado analisar reciprocamente (um ao outro) as aulas e que um deles entende a Educação Física predominantemente como treino da condição física, enquanto o outro concebe a sua incumbência específica como "entretenimento, divertimento dos alunos". (Seja-me permitida esta simplificação, que não deturpação!)

Pode esperar-se, desde logo, uma tremenda confusão.

O professor "entretidor" será talvez de opinião que a aula do seu colega não resultou grande coisa ("foi mesmo uma droga" — dirá ele no seu íntimo), pois notou falta de "prazer".

O professor "treinador da condição física" não entenderá, de modo nenhum, aquele parecer. Então o seu colega não viu quão elevada foi a intensidade do esforço corporal?! Os alunos, empenhando-se, trabalhando e suando "a valer", apresentaram uma prova viva da qualidade da aula!

Sem dificuldade poderiam ser construídos ainda mais casos de perspectivas contrárias acerca da qualidade de uma aula de Educação Física. Todos confirmariam que o conceito da essência da disciplina é de significado primordial para a análise do ensino. Ele determina a que aspectos se presta atenção na análise e quais os critérios de base.

Isto é válido mesmo que se parta do princípio de que alguns professores têm, frequentemente, dificuldade em exprimir clara e consistentemente o seu conceito acerca daquilo que é (ou deve ser!) a Educação Física.

O professor - "treinador da condição física" — tem o seu critério num conceito biologista, mesmo que o não refira desta forma e que esta referência não se apresente nítida diante dos seus olhos. Para ele o cerne da educação física não reside no ensino e aprendizagem, mas sim na aplicação de estímulos de treino, fisiologicamente eficazes.

O professor — "entretidor" — apoiar-se-á talvez numa concepção "funcionalista" da formação e na acentuação do significado momentâneo da vivência da situação desportivo-motora. Pode ser também que ele interiorize facilmente certos padrões dos seus alunos ("Em educação física trata-se de prazer, não tem nada a ver com aprendizagem"!) - um círculo vicioso de difícil saída.

Aquilo que moverá fortemente ainda um professor "domador" podemos talvez interpretá-lo como algo que se apoia expressamente em princípios teóricos do comportamento, como algo que interpreta o ensino como um acto de imposição e de mera influência exterior. Poder-se-á tratar também de relíquias do seu tempo de formação, de um seguidor inconsciente das normas dos seus formadores e examinadores.

Não é preciso salientar mais que aquele que pretende ocupar-se seriamente com a análise/avaliação do seu ensino, não pode deixar de ter uma concepção clara da respectiva disciplina. Sem esta clareza não são possíveis decisões ponderadas e reflectidas, sobre o "o quê" e o "como" da análise e avaliação do ensino.”
Será isto que nos espera, caros colegas?

Outubro 18, 2007

É assim, tem sido assim e vai continuar a ser assim. A identidade da educação física como disciplina escolar revolve em torno de tradições, que poderão ser aparentadas, mas que são diversas na alma, isto é, naquilo que as anima. Por isso cada uma puxa daqui e empurra dacolá, tentando ganhar mais espaço e visibilidade no currículo. Daí não virá o mal ao mundo. Todos queremos ter direito ao nosso lugar e a ter voz e a imprimir a nossa marca. Porém, neste jogo do puxa e do empurra, os que querem vir para a frente, às vezes, dão a impressão de que querem tapar à vista aos outros. Assim já o mundo pode ficar um pouco desconcertado.

A saúde é um tema omnipresente na educação física, mas geralmente tratada como pano de fundo, como dado adquirido, ou seja como tema não especificamente tematizado. Ciclicamente a tradição médico-higienicista ganha relevo junto dos responsáveis pelo currículo e consegue colocar a saúde, a avaliação da condição física, na linha da frente. É o que está acontecer actualmente entre nós. Desta vez, puseram as escolas a adquirir e aplicar o fitnessgram, com todo o arsenal ideológico e a carga simbólica que isso arrasta para dentro do currículo.
Há uma linha individualista que hiperboliza os cuidados que as pessoas devem ter com a sua saúde, ao ponto de os transformar em culpa. Os gordos são culpados por serem gordos, os com baixos níveis de aptidão são culpados dos seus fracos índices de aptidão, os doentes são culpados pela sua doença. Depois há os que não fazem nada por serem magros e são magros, que não se esforçam nada e têm níveis elevados de aptidão e os que não têm cuidado nenhum com a saúde e são saudáveis. À culpa alia-se a inveja, a frustração da má sorte e a alienação.
Esta linha individualista não é causada obrigatória pelo fitnessgram, apenas pela ideologia de pomada milagrosa que a envolve. O fitnessgram, como outras ferramentas, pode ser auxiliar didáctico importante numa educação para a saúde emancipadora dos alunos, se se libertar da canga culpabilizadora, se conseguir destrinçar responsabilidade de culpabilidade.
A saúde é um bom tema para a educação física, mas devemos evitar cair na tentação de ser hegemonizados por ela. As outras tradições também são válidas e foram elas que cunharam a educação física de conteúdo educativo. A nossa capacidade de compreensão e actuação no mundo requer mais que atenção à saúde e conhecimento e competência nas disciplinas intelectuais.
Esta visão holística da educação está a dar sinais de degradação em várias partes do mundo, acossada que está por visões e políticas utilitaristas ditadas pelas "necessidades" da economia e do consumo.

Amândio Graça

Outubro 08, 2007

As virtudes do desporto

A prática desportiva tem grandes virtualidades educativas quando estão reunidos certos ingredientes que nem precisam de ser de grande complexidade ou de custos elevados.
O video para que remete o link abaixo mencionado mostra crianças a praticar Minibasket num ambiente austero de recursos mas em que não falta o essencial: as crianças, o jogo, o material e as instalações mínimas e uma concepção prática da prática do jogo orientada pelos adultos de forma educativa e em que as crianças são os protagonistas essenciais. Tanto na função de jogadores, como na função de árbitros, de oficiais de mesa de cronometristas. Vale a pena ver. Passe por lá...
http://youtube.com/watch?v=rQ6XWmsHhVM
Num segundo video vemos a prática do Minibasket num país oriental. Reparem no fim do video e do jogo a forma como as jogadoras se saúdam entre si e saúdam o público. Pormenores culturais gerais que entram dentro do próprio jogo.
http://youtube.com/watch?v=rQ6XWmsHhVM

Outubro 05, 2007

Educação para a saúde versus educação física

A comissão nacional incumbida de acompanhar e avaliar o Projecto de Educação para a Saúde nas escolas emitiu o seu relatório final, no fim do mês de Setembro. Destaco 2 parágrafos que dizem respeito especificamente à disciplina de Educação Física:

1 - “No ensino secundário recomenda-se agora que nos 10.º, 11.º e 12.º anos sejam aproveitados os espaços lectivos de Educação Física para abordar os temas de Educação para a Saúde, tornando-se necessário mobilizar os docentes de Educação Física para esta nova actividade e dotá-los de formação específica, caso não a possuam.”

Nada de novo. Está previsto no programa e é aplicado (?!). Talvez só nós saibamos disso, pelo que a chamada de atenção vale para os menos avisados!...

É explícita, no relatório, a intenção de não efectuar esta abordagem de modo expositivo, como alguns estabelecimentos de ensino talvez pretendessem!... É que a falta de instalações justificou (em poucos casos, espero) a abordagem teórica de um bloco semanal de Educação Física!


2 - “Como a actividade Física é essencial para os nossos jovens, que mostram preocupantes padrões de sedentarismo, o GTES desde sempre considerou essencial apoiar os professores de Educação Física nas suas acções quotidianas e nos seus projectos. Neste sentido promoveu a assinatura de um protocolo entre o ME (DGIDC) e a FMH, de modo a garantir que no próximo ano lectivo, as escolas dispusessem do instrumento Fitnessgram. Deste modo, os professores poderão aferir parâmetros de saúde de todos os alunos, no que diz respeito ao peso e à condição física, sendo obtidos relatórios individuais que permitem aos estudantes e às famílias as eventuais correcções.”

Quanto ao grande negócio por trás disto… o comentário fica para outra vez!
Mas, politiquices aparte, seria bom que a formação já anunciada pela FMH não se ficasse pelo manual de instruções, mas que se preveja um compromisso de atendimento pós-venda pelo menos idêntico ao dos hipermercados, ou de uma simples mercearia.

E já agora, que se estenda às escolas que, tendo já adquirido o software (desembolsando 300 €), têm tido dificuldade em resolver, sem qualquer apoio da FMH, problemas entretanto surgidos, para além dos erros de software da versão 6.0 do mesmo programa.

Muito mais haveria a dizer, no que se refere ao apoio necessário ao trabalho dos professores de Educação Física, à articulação da aplicação da bateria de testes Fitnessgram e a avaliação em Educação Física, e até mesmo sobre os relatórios individuais.

Também acredito que a intenção do grupo de trabalho foi boa e que pode ser bem aproveitada por todos nós.