maio 29, 2006

da carga horária às aulas de apoio a EF

Há quem diga que a questão do aumento ou não da carga horária da disciplina não é fundamental porque mais do que a intensidade e o volume da carga o que importa é a qualidade. Outros acham-na perigosa porque receiam que os resultados do aumento da carga horária não produza os efeitos desejados e através desses resultados negativos, possamos recuar ainda mais do que a posição que temos actualmente.

As vozes que defendem o aumento da carga semanal argumentam com os indicadores e sugestões imanadas de organizações de renome (tais como o CDC dos EUA, ou a Organização Mundial de Saúde) que apontam, por questões de saúde, para que haja actividade física diária, com uma duração de, no mínimo, 30 minutos e com uma intensidade moderada a intensa. Outros, ainda, defendem que a actividade física não deve ser da única responsabilidade da escola, pelo que está bom assim e a sociedade que se organize, criando outras ofertas de actividade física.

A minha opinião é que, mais importante do que aumentar a carga horária é fundamental criar apoios à disciplina, onde os alunos possam recuperar o tempo perdido e superar limitações físicas capazes de os desmotivar para a adopção de estilos de vida activos. Aulas de apoio divertidas, dadas por professores sorridentes capazes de tornar essa hora diária num momento motivador, onde o aluno ganhe o gosto da prática pela prática.

maio 23, 2006

A propósito do que é e do que deveria ser a Educação Física

Falando em "inauguração", gostaria de lançar este desabafo acerca do qual muito tenho pensado, com a esperança de um dia poder ser levado a sério. Com efeito, ao longo dos anos tenho alterado a minha visão sobre o que é ou deveria ser a Ed. Física Escolar. Baseada na minha experiência de vida (ex-atleta de alta competição) e na minha paixão pela actividade física, quer pelo prazer de a realizar quer pelo "bem" que faz, julgo que deveríamos promover uma educação física escolar mais recreativa do que desportiva, promovendo a autonomia e o bem-estar dos alunos ao invés de criarmos situações de exclusão dos menos hábeis ou menos aptos fisicamente. Poder-se-ia privilegiar o jogo pelo jogo e a actividade física pela actividade - pelo prazer, pela interacção e sócio-afectividade, pelo movimento, pela autonomia - e deixar o desporto para os clubes, onde cada um se encaminha para o que mais gosta ou para o que tem mais jeito, sendo este orientado por quem sabe (realmente) e por quem ama verdadeiramente o desporto.
Ágata Aranha, Maio de 2006

O olhar da professora Ágata Aranha, em comentário ao texto de inauguração deste Blog, converge e diverge, ao mesmo tempo, do meu olhar sobre a educação física e o desporto. Converge no que tem de apelo à inclusão, a uma educação física não elitista, promotora da autonomia e bem-estar. Diverge porque não defino o desporto de uma forma tão restrita e selectiva, bem pelo contrário, vejo o desporto como algo que pode ser acessível a todas as pessoas. Há desporto mais orientado para o rendimento competitivo, regido por uma lógica mais selectiva, e desporto mais orientado para a participação, regido por uma lógica mais inclusiva.
Mas independentemente das convergências e divergências, importa evidenciar as preocupações com o que é mais importante salvaguardar, garantir, ou investir os nossos esforços. Creio que de uma forma mais ou menos articulada todos temos ideias sobre isto.
As pistas de discussão abertas são mais do que muitas, por isso sugiro que se possa começar pelo seguinte desafio: O que se poderá entender por uma educação física mais recreativa? Opor-se-á ela a uma educação física orientada para o desenvolvimento de competências?

maio 17, 2006

Alargamento da ocupação plena dos tempos escolares ao ensino secundário

“O alargamento ao ensino secundário da ocupação educativa dos alunos em todo o horário escolar contribui não só para a melhoraria dos resultados escolares, mas também para a criação de uma cultura de rigor e de exigência.”
(In http://www.professores.pt/)


“Para levar por diante esta medida na prática, as escolas secundárias vão beneficiar da experiência acumulada nos estabelecimentos do ensino básico, tendo em conta os ajustamentos que tiveram necessidade de efectuar e as soluções que encontraram para ocupação dos alunos quando faltava um professor. “

Entre as actividades educativas previstas na ocupação dos alunos surgem as aulas de substituição.
Na escola onde trabalho (eb 2,3), as aulas de substituição foram implementadas no presente ano lectivo e o grau de satisfação quer dos professores quer dos alunos é reduzido.
Para procurarmos “beneficiar da experiência acumulada” das escolas que já implementaram estas medidas, penso que poderia ser interessante partilharmos aquilo que sabemos do que é que se vai fazendo por aí.

maio 15, 2006

Um espaço onde se debata a Educação Física e o Desporto sobre vários olhares, alguns deles com um vastíssimo currículo é por si só de aplaudir. O aplauso é maior quando essas personalidades despendem tempo do pouco que lhe resta e que provavelmente deveria ser para a família. É com enorme orgulho que recebi o convite para me juntar ao grupo e confesso que só não tenho medo de não estar ao nível do blogue, porque recebi uma educação que me ensinou a olhar para os desafios como uma oportunidade de crescer.

Debater esta temática é fundamental por várias razões, desde combater os dogmas que, para o bem ou para o mal, continuam a ser isso mesmo, dogmas e que, por essa razão raramente são questionados. A reflexão que se fará por aqui só faz sentido se nos libertarmos e questionar mesmo o que é dado como adquirido. Questionar por exemplo: se o desporto faz bem; se é legítimo pedir o mesmo fair-play a jogadores envolvidos num espectáculo de milhões, da mesma forma como se pede num jogo de cadetes; questionar certezas que já foram mas que entretanto as mudanças societais exigem a sua reformulação.

Na minha opinião discutir a Educação Física e Desporto de peito e coração aberto à entrada de outras opiniões, outros ares, vale a pena. Pena será, se este blogue se tornar SÒ num sítio de mulheres e homens do desporto, pois fechar-se-á antes de se ter aberto, diminuindo drásticamente o seu potencial interventivo. Se isso acontecer, a discussão terá a mesma importância da chuva que choveu há cem anos e ainda por cima não passou de um orvalho que nem regou as ervas daninhas da relva dos meus tetra-avós.

maio 13, 2006

1º olhar

Recorro à actualidade para lançar o meu primeiro olhar. A educação física tem sido objecto de discussão no fórum promovido pela Direcção Geral da Inovação e Desenvolvimento Curricular, criado expressamente para debater a reorganização curricular do ensino secundário. Há um elemento novo nesta reorganização e que se prende com o facto da classificação dos alunos à disciplina de educação física ser considerada para efeitos de transição de ano e de cálculo da média de acesso ao ensino superior.

Quais os argumentos que se devem evocar para legitimar a alteração [passível de ainda ser rectificada]?

Quais os efeitos da alteração na afinidade dos alunos com a disciplina?

Será sustentável a afirmação de que os professores de educação física terão outro comprometimento com a disciplina?

maio 12, 2006

Inauguração

Vejamos como esta definição de blogosfera se acomoda ao momento de criação que agora se inicia:
A blogosfera, assim como é chamado o conjunto de blogs, vai agregando diversas esferas, que se “enroscam”, se ligam com toda a força e efemeridade da internet, construindo assim uma rede nada esférica, que agrega toda forma de expressão, todo objectivo, toda forma de ver o mundo. (..)” (Adriane)

O blogue Educação Física e Desporto - Diferentes Olhares? emerge deste movimento amplo de discussão e de expressão da cidadania. Será esta a primeira razão pela qual 5 profissionais de educação física decidiram juntar-se dirigindo os seus olhares para uma temática que lhes é cara.
A segunda razão invade o domínio da autonomia. Mulheres e homens de acção, os professores de EF e do Desporto, não costumam debater publicamente as suas questões. Muito fica no recato privado das práticas, deixando o espaço público para as fórmulas, quantas vezes dogmáticas de alguns, poucos, teorizadores. Trazer as questões da EF e Desporto para o debate público é um convite à crítica, ao esclarecimento e à agregação de novos actores/autores.
A terceira razão pela qual decidimos partilhar este espaço é de ordem afectiva: O prazer e a paixão de pertencer a um “sub-grupo de criadores do Homem” parecem ser os denominadores comuns deste pequeno grupo de companheiros de viagem.

Os constrangimentos que derivam da nossa actividade profissional, que se presume ser intensa, determinaram a metodologia a seguir. Assim, cada um dos elementos da equipa desenvolverá, cíclica e rotativamente, um assunto à sua escolha. Contudo, a ideia da rotatividade não exclui a possibilidade de cada um dos membros residentes acrescentar, sempre que o desejar, novos assuntos e novas entradas.

Antes de concluir esta pequena apresentação do nosso blogue, não resisto a uma pequena provocação: Apelo à participação de todos, professores de educação física e de outras áreas disciplinares, quanto mais não seja para provarmos que a vida é feita de contrastes.