No último post o Miguel trouxe-nos a identificação de alguns problemas da Educação Física nos países da União Europeia.
Começa logo pela seguinte frase que cito: "Orientação geral da educação física: os curricula existentes não proporcionam muitas vezes experiências pertinentes a nível pessoal e social e são contrários às tendências sociais e às tendências nas actividades extracurriculares".
Pergunta a fazer desde já: será que os nossos curricula de EF em Portugal padecem do mal identificado na frase acima e sua sequência (que poderão ler no post anterior e no relatório)?
Já agora eu começo por dar uma resposta pessoal. Penso que sim. Os nossos programas de EF que têm muita coisa interessante e positiva, têm alguns aspectos que sinto constituirem um espartilho a uma EF adaptada aos tempos e aos alunos de hoje:
-Tem um modelo de multiactividades que subentendem, pelo menos antes do Ensino Secundário, uma prática de demasiados desportos num mesmo ano lectivo. De tudo querer abordar pouco se aprofunda e consolida. Não estará nisto uma das origens do fenómeno dos eternos debutantes?
-O fenómeno anterior implica, com a necessidade de "cumprir os programas" que abordando tanta coisa não haja espaço para a exercitação.
-A preocupação anterior não levará, naqueles que querem cumprir os programas, a concederem pouco tempo a uma prática lúdica das actividades ensinadas? É que para cada actividade não haverá um tempo de experimentar, um tempo de aprender, um tempo de exercitar, um tempo de brincar, um tempo de aplicar e de avaliar o que se aprendeu. Saltitando demasiado de actividade há tempos que se perdem. Nuns casos só se brinca o que é pouco, noutros não há tempo para brincar, o que faz falta.
-Há demasiados alunos a quem as nossas actividades passam ao lado e para quem são nitidamente insatisfatórias. Os gordinhos, os desajeitados, etc, são realmente tantas vezes excluídos sucessivamente por um modelo desportivizado num sentido mal trabalhado pedagogicamente.
-A EF e o Desporto na escola tem de ser (em alguns momentos) tão entusiasmante como o são os jogos de computador se quiserem ganhar este desafio. É que a questão não é também, simplesmente de mais tempo para a EF.
O problema evidentemente não está só nos programas ou se calhar fundamentalmente nos programas. Mas não haverá aqui todo um programa de acção a realizar num futuro imediato?
O desafio do relatório de uma organização política europeia que agora apareceu é, penso eu extremamente aliciante para os professores de EF. A contrastar com estes tempos de tantos desafios nefastos da nossa política educativa interna.
novembro 22, 2007
novembro 13, 2007
Problemas identificados
Há alguns problemas relacionados com a educação física na UE:
- Orientação geral da educação física: os curricula existentes não proporcionam muitas vezes experiências pertinentes a nível pessoal e social e são contrários às tendências sociais e às tendências nas actividades extracurriculares: há uma orientação para programas de actividades ligadas ao desempenho e à competitividade. Se se quiser que a educação física se torne um instrumento para combater eficazmente a obesidade e o excesso de peso das crianças, é necessário promover elementos curriculares que atraiam todos os grupos de alunos. Com os jogos de computador a ganhar terreno como passatempo preferido das crianças, há uma necessidade cada vez maior de promover um estilo de vida activo e saudável entre as crianças e os jovens. Para estes grupos de jovens, o conteúdo tradicional da educação física tem pouca relevância para o seu estilo de vida.
- A educação física corre o risco de ser cada vez mais marginalizada na escola. Nos últimos anos, o tempo atribuído à educação física em toda a UE diminuiu gradualmente: desde 2002, o tempo concedido foi reduzido de 121 para 109 minutos por semana para a escola primária, e de 117 para 101 minutos para a escola secundária - Os estudos realizados recomendam que as crianças e os adolescentes pratiquem diariamente algum tipo de exercício físico durante 60 minutos! Há indícios de que o que se anuncia oficialmente no que respeita à actividade física praticada nas escolas não corresponde à realidade no terreno, dado que a prática não respeita as obrigações ou expectativas legais. É necessário um controlo efectivo!
- Ligado à questão acima referida, encontra-se o insuficiente financiamento das instalações desportivas; um financiamento inadequado das instalações, do equipamento e da sua manutenção e material de ensino encontra-se particularmente espalhado na Europa Central, Oriental e Meridional; os alunos com deficiências sofrem ainda mais as consequências desta falta de apoio financeiro.
- É necessário olhar mais de perto os curricula dos professores de educação física a fim de apoiar a formação e a educação de professores de qualidade. É necessário que haja professores competentes e fiáveis que sejam capazes de conceber aulas de educação física que respondam às questões de saúde e que incentivem todas as crianças a participar. Uma educação física eficaz e bem sucedida exige professores especializados com uma boa formação.
- Existe um fosso entre a edução física em actividades curriculares e nas actividades extracurriculares e paracurriculares. A ligação entre actividades curriculares e extracurriculares poderia ser reforçada.
- Inclusão: as minorias étnicas têm taxas de participação em actividades desportivas especialmente baixas. O problema da participação já é preocupante durante o período escolar: as raparigas muçulmanas são um grupo especialmente sensível neste contexto. Um padrão semelhante de acesso restrito é evidente entre os jovens deficientes. Os jovens com deficiência têm muito menos probabilidades de participar em actividades desportivas extracurriculares ou paraescolares.
- Não há ainda dados empíricos suficientes em muitos domínios relacionados com o desporto, a educação física e os seus efeitos na evolução social e sanitária.
Recomendações que cairão em saco roto?…
Parlamento Europeu defende mais aulas de educação física nas escolas da UE
1. Não sei o que dizer dos 90 minutos semanais de EF atribuídos aos profissionais? E o que pensar dos 45 minutos semanais atribuídos aos CEF’s?
2. Como enquadrar estas recomendações numa escola de matriz taylorista?
“O Parlamento Europeu defendeu hoje, ao aprovar um relatório sobre o papel do desporto na educação por 590 votos a favor, 56 contra e 21 abstenções, que a educação física deve ser obrigatória na escola primária e secundária, com pelo menos três aulas por semana. O relatório da Comissão da Cultura e da Educação do PE refere que em Espanha, Portugal e Itália os níveis de excesso de peso e de obesidade são superiores a 30% nas crianças com idades compreendidas entre os 7 e os 11 anos.Estas recomendações sugerem-me apenas dois breves comentários: o primeiro formula duas simples questões que traduzem a minha estupefacção diante da nossa triste realidade; o segundo traduz a minha desconfiança nos actuais responsáveis políticos quando confrontados com recomendações que sugerem a inversão do rumo das suas políticas.
O PE propõe que o horário escolar inclua, pelo menos, três aulas de educação física por semana, embora as escolas devam, na medida do possível, ser incentivadas a ultrapassar este objectivo mínimo; para que haja um equilíbrio entre as actividades físicas e intelectuais durante o período escolar.
Os eurodeputados exortam os Estados-Membros a investir em instalações desportivas de qualidade nos estabelecimentos de ensino e nos centros de treino e afirmam ser favoráveis à concessão de incentivos aos clubes desportivos; que celebrem acordos de colaboração com escolas, estabelecimentos de ensino, centros de jovens, e outras organizações comunitárias ou de voluntariado envolvidas em projectos no domínio da aprendizagem ao longo da vida.
O aumento da obesidade em toda a Europa, nomeadamente entre os jovens, é alarmante e constitui uma grande preocupação no domínio da saúde pública. O número de crianças da União Europeia com excesso de peso e obesidade aumenta em mais de 400.000 por ano, para além dos mais de 14 milhões de cidadãos europeus que já têm excesso de peso (incluindo, pelo menos, 3 milhões de crianças obesas), indica o relatório de Pál SCHMITT (PPE/DE, HU).
De acordo com os dados do relatório, a obesidade afecta actualmente 21 milhões de crianças na UE. Na UE-27, o excesso de peso afecta quase uma em cada quatro crianças. Em Espanha, Portugal e Itália os níveis de excesso de peso e de obesidade são superiores a 30% nas crianças com idades compreendidas entre os 7 e os 11 anos. As percentagens do aumento do excesso de peso e da obesidade na infância variam, com a Inglaterra e a Polónia a registarem os maiores aumentos. Em termos gerais, as crianças estão em pior forma física do que a geração dos anos 70 e 80.
Não é tanto o aumento da dose de calorias que provoca o excesso de peso, mas a inactividade física: as crianças não comem mais, mexem-se menos, afirma o relator.
Nos últimos anos, o tempo atribuído à educação física em toda a UE diminuiu gradualmente: desde 2002, foi reduzido de 121 para 109 minutos por semana para a escola primária e de 117 para 101 minutos para a escola secundária.” (appefis)
1. Não sei o que dizer dos 90 minutos semanais de EF atribuídos aos profissionais? E o que pensar dos 45 minutos semanais atribuídos aos CEF’s?
2. Como enquadrar estas recomendações numa escola de matriz taylorista?
Riscos...
De tempos a tempos, numas e noutras escolas, mesmo em contextos sociais diversos, surgem umas ondas de preocupação com os acidentes na escola.
Jogar à bola, uma actividade que fez parte das brincadeiras de várias gerações anteriores à nossa, e que por enquanto ainda integra a ocupação dos tempos livres espontânea de uma parte dos nossos jovens, parece ser objecto de uma preocupação, na minha opinião, desajustada.
Já não bastam as limitações impostas, em termos de espaços disponíveis para brincar, nas ruas das cidades actuais, que por razões de segurança e não só, já não são uma opção, agora parece que nem na escola as crianças e os jovens podem alternar com alguma actividade física a longa inércia a que são submetidos na sua pesada carga horária semanal composta quase exclusivamente por trabalho sedentário, no qual, estar “calado” e “quieto” é sinónimo de bom comportamento. Se isto não é trabalho infantil …
Aqui que eles não nos ouvem, não é de admirar que não estudem muito fora das aulas ou que se “portem mal”, como frequentemente são acusados: não sei se nós, adultos, nos portaríamos melhor num esquema de trabalho semelhante… a ver por algumas reuniões de adultos…
Mas voltando ao assunto que aqui me trouxe…
Tudo na vida contém riscos, desde o atravessar a rua ao ficar em casa! Já vi dentes partidos pelas mais variadas razões… até por tropeçar num espaço plano!
Lembro-me de um filme em que o personagem principal, sendo mediador de seguros, enumerava em cada momento da sua vida as percentagens de risco associadas a cada gesto: andar na rua passando por cima das tampas de saneamento, comer amendoins da mesma taça de outras pessoas, comer bolo de aniversário, andar de elevador, andar de bicicleta, etc.
Também não me parece sensato negligenciar determinados riscos perfeitamente evitáveis, como andar de carro sem cadeira adequada, no caso das crianças, ou andar de bicicleta sem capacete… Eu própria também andei de bicicleta sem capacete, porque não era costume ou não havia tal chamada de atenção, na época, mas adiro sem relutância a esta medida preventiva de determinadas consequências de um acidente,… embora não proteja de todos os riscos possíveis, claro!
Quando vou buscar o meu filho ao infantário e ele aparece com a roupa toda suja e as unhas cheias de terra ou riscos de canetas, eu tenho a certeza de que brincou e se divertiu. O contrário já não me dá tais garantias!... Claro que preferia que não se magoasse, mas prefiro que brinque! Nada substitui as aprendizagens e as vivências proporcionadas pela actividade física que a brincadeira encerra.
A joelhada, a cabeçada e a esfoladela são riscos provenientes da prática de actividades físicas em que existe contacto, como o Futebol, mas não podemos ter a veleidade de pensar que tais actividades detenham a exclusividade destes riscos.
Aliás, tendo em conta os estilos de vida prevalecentes, hoje em dia, não posso deixar de pensar que os riscos inerentes à sua inactividade física serão bem maiores. Seguramente, os riscos de ver televisão a mais também não serão de negligenciar.
Claro está que a Educação Física vem logo à baila e daí a ser considerada uma actividade perigosa é um instante. E então para atribuir culpas à negligência dos respectivos professores, nem se fala.
Mas de uma coisa não tenho dúvidas: quanto menores forem as vivências motoras anteriores, maior será o risco de um aluno se vir a magoar.
Jogar à bola, uma actividade que fez parte das brincadeiras de várias gerações anteriores à nossa, e que por enquanto ainda integra a ocupação dos tempos livres espontânea de uma parte dos nossos jovens, parece ser objecto de uma preocupação, na minha opinião, desajustada.
Já não bastam as limitações impostas, em termos de espaços disponíveis para brincar, nas ruas das cidades actuais, que por razões de segurança e não só, já não são uma opção, agora parece que nem na escola as crianças e os jovens podem alternar com alguma actividade física a longa inércia a que são submetidos na sua pesada carga horária semanal composta quase exclusivamente por trabalho sedentário, no qual, estar “calado” e “quieto” é sinónimo de bom comportamento. Se isto não é trabalho infantil …
Aqui que eles não nos ouvem, não é de admirar que não estudem muito fora das aulas ou que se “portem mal”, como frequentemente são acusados: não sei se nós, adultos, nos portaríamos melhor num esquema de trabalho semelhante… a ver por algumas reuniões de adultos…
Mas voltando ao assunto que aqui me trouxe…
Tudo na vida contém riscos, desde o atravessar a rua ao ficar em casa! Já vi dentes partidos pelas mais variadas razões… até por tropeçar num espaço plano!
Lembro-me de um filme em que o personagem principal, sendo mediador de seguros, enumerava em cada momento da sua vida as percentagens de risco associadas a cada gesto: andar na rua passando por cima das tampas de saneamento, comer amendoins da mesma taça de outras pessoas, comer bolo de aniversário, andar de elevador, andar de bicicleta, etc.
Também não me parece sensato negligenciar determinados riscos perfeitamente evitáveis, como andar de carro sem cadeira adequada, no caso das crianças, ou andar de bicicleta sem capacete… Eu própria também andei de bicicleta sem capacete, porque não era costume ou não havia tal chamada de atenção, na época, mas adiro sem relutância a esta medida preventiva de determinadas consequências de um acidente,… embora não proteja de todos os riscos possíveis, claro!
Quando vou buscar o meu filho ao infantário e ele aparece com a roupa toda suja e as unhas cheias de terra ou riscos de canetas, eu tenho a certeza de que brincou e se divertiu. O contrário já não me dá tais garantias!... Claro que preferia que não se magoasse, mas prefiro que brinque! Nada substitui as aprendizagens e as vivências proporcionadas pela actividade física que a brincadeira encerra.
A joelhada, a cabeçada e a esfoladela são riscos provenientes da prática de actividades físicas em que existe contacto, como o Futebol, mas não podemos ter a veleidade de pensar que tais actividades detenham a exclusividade destes riscos.
Aliás, tendo em conta os estilos de vida prevalecentes, hoje em dia, não posso deixar de pensar que os riscos inerentes à sua inactividade física serão bem maiores. Seguramente, os riscos de ver televisão a mais também não serão de negligenciar.
Claro está que a Educação Física vem logo à baila e daí a ser considerada uma actividade perigosa é um instante. E então para atribuir culpas à negligência dos respectivos professores, nem se fala.
Mas de uma coisa não tenho dúvidas: quanto menores forem as vivências motoras anteriores, maior será o risco de um aluno se vir a magoar.
outubro 29, 2007
A qualidade (do ensino) - Um conceito polissémico?
As grelhas de avaliação do desempenho docente estão aí já ao virar da esquina. A ideia é avaliar a qualidade das aulas. Avaliador e avaliado serão confrontados com a falta de critérios apropriados para a avaliação da qualidade do ensino.
Recorro a um exemplo clássico, rebuscado num texto do professor Jorge Bento escrito em 1987, para evidenciar a falta de unanimidade e até alguma confusão que reina em torno deste assunto:
Recorro a um exemplo clássico, rebuscado num texto do professor Jorge Bento escrito em 1987, para evidenciar a falta de unanimidade e até alguma confusão que reina em torno deste assunto:
“Imaginemos que dois professores tinham combinado analisar reciprocamente (um ao outro) as aulas e que um deles entende a Educação Física predominantemente como treino da condição física, enquanto o outro concebe a sua incumbência específica como "entretenimento, divertimento dos alunos". (Seja-me permitida esta simplificação, que não deturpação!)Será isto que nos espera, caros colegas?
Pode esperar-se, desde logo, uma tremenda confusão.
O professor "entretidor" será talvez de opinião que a aula do seu colega não resultou grande coisa ("foi mesmo uma droga" — dirá ele no seu íntimo), pois notou falta de "prazer".
O professor "treinador da condição física" não entenderá, de modo nenhum, aquele parecer. Então o seu colega não viu quão elevada foi a intensidade do esforço corporal?! Os alunos, empenhando-se, trabalhando e suando "a valer", apresentaram uma prova viva da qualidade da aula!
Sem dificuldade poderiam ser construídos ainda mais casos de perspectivas contrárias acerca da qualidade de uma aula de Educação Física. Todos confirmariam que o conceito da essência da disciplina é de significado primordial para a análise do ensino. Ele determina a que aspectos se presta atenção na análise e quais os critérios de base.
Isto é válido mesmo que se parta do princípio de que alguns professores têm, frequentemente, dificuldade em exprimir clara e consistentemente o seu conceito acerca daquilo que é (ou deve ser!) a Educação Física.
O professor - "treinador da condição física" — tem o seu critério num conceito biologista, mesmo que o não refira desta forma e que esta referência não se apresente nítida diante dos seus olhos. Para ele o cerne da educação física não reside no ensino e aprendizagem, mas sim na aplicação de estímulos de treino, fisiologicamente eficazes.
O professor — "entretidor" — apoiar-se-á talvez numa concepção "funcionalista" da formação e na acentuação do significado momentâneo da vivência da situação desportivo-motora. Pode ser também que ele interiorize facilmente certos padrões dos seus alunos ("Em educação física trata-se de prazer, não tem nada a ver com aprendizagem"!) - um círculo vicioso de difícil saída.
Aquilo que moverá fortemente ainda um professor "domador" podemos talvez interpretá-lo como algo que se apoia expressamente em princípios teóricos do comportamento, como algo que interpreta o ensino como um acto de imposição e de mera influência exterior. Poder-se-á tratar também de relíquias do seu tempo de formação, de um seguidor inconsciente das normas dos seus formadores e examinadores.
Não é preciso salientar mais que aquele que pretende ocupar-se seriamente com a análise/avaliação do seu ensino, não pode deixar de ter uma concepção clara da respectiva disciplina. Sem esta clareza não são possíveis decisões ponderadas e reflectidas, sobre o "o quê" e o "como" da análise e avaliação do ensino.”
outubro 18, 2007
É assim, tem sido assim e vai continuar a ser assim. A identidade da educação física como disciplina escolar revolve em torno de tradições, que poderão ser aparentadas, mas que são diversas na alma, isto é, naquilo que as anima. Por isso cada uma puxa daqui e empurra dacolá, tentando ganhar mais espaço e visibilidade no currículo. Daí não virá o mal ao mundo. Todos queremos ter direito ao nosso lugar e a ter voz e a imprimir a nossa marca. Porém, neste jogo do puxa e do empurra, os que querem vir para a frente, às vezes, dão a impressão de que querem tapar à vista aos outros. Assim já o mundo pode ficar um pouco desconcertado.
A saúde é um tema omnipresente na educação física, mas geralmente tratada como pano de fundo, como dado adquirido, ou seja como tema não especificamente tematizado. Ciclicamente a tradição médico-higienicista ganha relevo junto dos responsáveis pelo currículo e consegue colocar a saúde, a avaliação da condição física, na linha da frente. É o que está acontecer actualmente entre nós. Desta vez, puseram as escolas a adquirir e aplicar o fitnessgram, com todo o arsenal ideológico e a carga simbólica que isso arrasta para dentro do currículo.
Há uma linha individualista que hiperboliza os cuidados que as pessoas devem ter com a sua saúde, ao ponto de os transformar em culpa. Os gordos são culpados por serem gordos, os com baixos níveis de aptidão são culpados dos seus fracos índices de aptidão, os doentes são culpados pela sua doença. Depois há os que não fazem nada por serem magros e são magros, que não se esforçam nada e têm níveis elevados de aptidão e os que não têm cuidado nenhum com a saúde e são saudáveis. À culpa alia-se a inveja, a frustração da má sorte e a alienação.
Esta linha individualista não é causada obrigatória pelo fitnessgram, apenas pela ideologia de pomada milagrosa que a envolve. O fitnessgram, como outras ferramentas, pode ser auxiliar didáctico importante numa educação para a saúde emancipadora dos alunos, se se libertar da canga culpabilizadora, se conseguir destrinçar responsabilidade de culpabilidade.
A saúde é um bom tema para a educação física, mas devemos evitar cair na tentação de ser hegemonizados por ela. As outras tradições também são válidas e foram elas que cunharam a educação física de conteúdo educativo. A nossa capacidade de compreensão e actuação no mundo requer mais que atenção à saúde e conhecimento e competência nas disciplinas intelectuais.
Esta visão holística da educação está a dar sinais de degradação em várias partes do mundo, acossada que está por visões e políticas utilitaristas ditadas pelas "necessidades" da economia e do consumo.
Amândio Graça
A saúde é um tema omnipresente na educação física, mas geralmente tratada como pano de fundo, como dado adquirido, ou seja como tema não especificamente tematizado. Ciclicamente a tradição médico-higienicista ganha relevo junto dos responsáveis pelo currículo e consegue colocar a saúde, a avaliação da condição física, na linha da frente. É o que está acontecer actualmente entre nós. Desta vez, puseram as escolas a adquirir e aplicar o fitnessgram, com todo o arsenal ideológico e a carga simbólica que isso arrasta para dentro do currículo.
Há uma linha individualista que hiperboliza os cuidados que as pessoas devem ter com a sua saúde, ao ponto de os transformar em culpa. Os gordos são culpados por serem gordos, os com baixos níveis de aptidão são culpados dos seus fracos índices de aptidão, os doentes são culpados pela sua doença. Depois há os que não fazem nada por serem magros e são magros, que não se esforçam nada e têm níveis elevados de aptidão e os que não têm cuidado nenhum com a saúde e são saudáveis. À culpa alia-se a inveja, a frustração da má sorte e a alienação.
Esta linha individualista não é causada obrigatória pelo fitnessgram, apenas pela ideologia de pomada milagrosa que a envolve. O fitnessgram, como outras ferramentas, pode ser auxiliar didáctico importante numa educação para a saúde emancipadora dos alunos, se se libertar da canga culpabilizadora, se conseguir destrinçar responsabilidade de culpabilidade.
A saúde é um bom tema para a educação física, mas devemos evitar cair na tentação de ser hegemonizados por ela. As outras tradições também são válidas e foram elas que cunharam a educação física de conteúdo educativo. A nossa capacidade de compreensão e actuação no mundo requer mais que atenção à saúde e conhecimento e competência nas disciplinas intelectuais.
Esta visão holística da educação está a dar sinais de degradação em várias partes do mundo, acossada que está por visões e políticas utilitaristas ditadas pelas "necessidades" da economia e do consumo.
Amândio Graça
outubro 08, 2007
As virtudes do desporto
A prática desportiva tem grandes virtualidades educativas quando estão reunidos certos ingredientes que nem precisam de ser de grande complexidade ou de custos elevados.
O video para que remete o link abaixo mencionado mostra crianças a praticar Minibasket num ambiente austero de recursos mas em que não falta o essencial: as crianças, o jogo, o material e as instalações mínimas e uma concepção prática da prática do jogo orientada pelos adultos de forma educativa e em que as crianças são os protagonistas essenciais. Tanto na função de jogadores, como na função de árbitros, de oficiais de mesa de cronometristas. Vale a pena ver. Passe por lá...
http://youtube.com/watch?v=rQ6XWmsHhVM
Num segundo video vemos a prática do Minibasket num país oriental. Reparem no fim do video e do jogo a forma como as jogadoras se saúdam entre si e saúdam o público. Pormenores culturais gerais que entram dentro do próprio jogo.
http://youtube.com/watch?v=rQ6XWmsHhVM
O video para que remete o link abaixo mencionado mostra crianças a praticar Minibasket num ambiente austero de recursos mas em que não falta o essencial: as crianças, o jogo, o material e as instalações mínimas e uma concepção prática da prática do jogo orientada pelos adultos de forma educativa e em que as crianças são os protagonistas essenciais. Tanto na função de jogadores, como na função de árbitros, de oficiais de mesa de cronometristas. Vale a pena ver. Passe por lá...
http://youtube.com/watch?v=rQ6XWmsHhVM
Num segundo video vemos a prática do Minibasket num país oriental. Reparem no fim do video e do jogo a forma como as jogadoras se saúdam entre si e saúdam o público. Pormenores culturais gerais que entram dentro do próprio jogo.
http://youtube.com/watch?v=rQ6XWmsHhVM
outubro 05, 2007
Educação para a saúde versus educação física
A comissão nacional incumbida de acompanhar e avaliar o Projecto de Educação para a Saúde nas escolas emitiu o seu relatório final, no fim do mês de Setembro. Destaco 2 parágrafos que dizem respeito especificamente à disciplina de Educação Física:
1 - “No ensino secundário recomenda-se agora que nos 10.º, 11.º e 12.º anos sejam aproveitados os espaços lectivos de Educação Física para abordar os temas de Educação para a Saúde, tornando-se necessário mobilizar os docentes de Educação Física para esta nova actividade e dotá-los de formação específica, caso não a possuam.”
Nada de novo. Está previsto no programa e é aplicado (?!). Talvez só nós saibamos disso, pelo que a chamada de atenção vale para os menos avisados!...
É explícita, no relatório, a intenção de não efectuar esta abordagem de modo expositivo, como alguns estabelecimentos de ensino talvez pretendessem!... É que a falta de instalações justificou (em poucos casos, espero) a abordagem teórica de um bloco semanal de Educação Física!
2 - “Como a actividade Física é essencial para os nossos jovens, que mostram preocupantes padrões de sedentarismo, o GTES desde sempre considerou essencial apoiar os professores de Educação Física nas suas acções quotidianas e nos seus projectos. Neste sentido promoveu a assinatura de um protocolo entre o ME (DGIDC) e a FMH, de modo a garantir que no próximo ano lectivo, as escolas dispusessem do instrumento Fitnessgram. Deste modo, os professores poderão aferir parâmetros de saúde de todos os alunos, no que diz respeito ao peso e à condição física, sendo obtidos relatórios individuais que permitem aos estudantes e às famílias as eventuais correcções.”
Quanto ao grande negócio por trás disto… o comentário fica para outra vez!
Mas, politiquices aparte, seria bom que a formação já anunciada pela FMH não se ficasse pelo manual de instruções, mas que se preveja um compromisso de atendimento pós-venda pelo menos idêntico ao dos hipermercados, ou de uma simples mercearia.
E já agora, que se estenda às escolas que, tendo já adquirido o software (desembolsando 300 €), têm tido dificuldade em resolver, sem qualquer apoio da FMH, problemas entretanto surgidos, para além dos erros de software da versão 6.0 do mesmo programa.
Muito mais haveria a dizer, no que se refere ao apoio necessário ao trabalho dos professores de Educação Física, à articulação da aplicação da bateria de testes Fitnessgram e a avaliação em Educação Física, e até mesmo sobre os relatórios individuais.
Também acredito que a intenção do grupo de trabalho foi boa e que pode ser bem aproveitada por todos nós.
1 - “No ensino secundário recomenda-se agora que nos 10.º, 11.º e 12.º anos sejam aproveitados os espaços lectivos de Educação Física para abordar os temas de Educação para a Saúde, tornando-se necessário mobilizar os docentes de Educação Física para esta nova actividade e dotá-los de formação específica, caso não a possuam.”
Nada de novo. Está previsto no programa e é aplicado (?!). Talvez só nós saibamos disso, pelo que a chamada de atenção vale para os menos avisados!...
É explícita, no relatório, a intenção de não efectuar esta abordagem de modo expositivo, como alguns estabelecimentos de ensino talvez pretendessem!... É que a falta de instalações justificou (em poucos casos, espero) a abordagem teórica de um bloco semanal de Educação Física!
2 - “Como a actividade Física é essencial para os nossos jovens, que mostram preocupantes padrões de sedentarismo, o GTES desde sempre considerou essencial apoiar os professores de Educação Física nas suas acções quotidianas e nos seus projectos. Neste sentido promoveu a assinatura de um protocolo entre o ME (DGIDC) e a FMH, de modo a garantir que no próximo ano lectivo, as escolas dispusessem do instrumento Fitnessgram. Deste modo, os professores poderão aferir parâmetros de saúde de todos os alunos, no que diz respeito ao peso e à condição física, sendo obtidos relatórios individuais que permitem aos estudantes e às famílias as eventuais correcções.”
Quanto ao grande negócio por trás disto… o comentário fica para outra vez!
Mas, politiquices aparte, seria bom que a formação já anunciada pela FMH não se ficasse pelo manual de instruções, mas que se preveja um compromisso de atendimento pós-venda pelo menos idêntico ao dos hipermercados, ou de uma simples mercearia.
E já agora, que se estenda às escolas que, tendo já adquirido o software (desembolsando 300 €), têm tido dificuldade em resolver, sem qualquer apoio da FMH, problemas entretanto surgidos, para além dos erros de software da versão 6.0 do mesmo programa.
Muito mais haveria a dizer, no que se refere ao apoio necessário ao trabalho dos professores de Educação Física, à articulação da aplicação da bateria de testes Fitnessgram e a avaliação em Educação Física, e até mesmo sobre os relatórios individuais.
Também acredito que a intenção do grupo de trabalho foi boa e que pode ser bem aproveitada por todos nós.
setembro 29, 2007
A propósito da educação (física) do que é, e do que é suposto ser!
“Ex.ma Senhora Ministra da Educação:
Um dia destes colocaram, no placar da Sala dos Professores, uma lista dos nossos nomes com a nova posição na Carreira Docente.
Fiquei a saber, Sr.ª Ministra, que para além de um novo escalão que inventou, sou, ao final de quinze anos de serviço, PROFESSORA.
Sim, a minha nova categoria, professora!
Que Querida! Obrigada!
E o que é que fui até agora?
Quando, no meu quinto ano de escolaridade, comecei a ter Educação Física, escolhi o meu futuro. Queria ser aquela professora, era aquilo que eu queria fazer o resto da minha vida...
Ensinar a brincar, impor regras com jogos, fazer entender que quando vestimos o colete da mesma cor lutamos pelos mesmos objectivos, independentemente de sermos ou não amigos, ciganos, pretos, más companhias, bons ou maus alunos. Compreender que ganhar ou perder é secundário desde que nos tenhamos esforçado por dar o nosso melhor. Aplicar tudo isto na vida quotidiana...
Foi a suar que eu aprendi, tinha a certeza de que era assim que eu queria ensinar! Era nova, tinha sonhos...
O meu irmão, seis anos mais novo, fez o Mestrado e na folha de Agradecimentos da sua Tese escreve o facto de ter sido eu a encaminhá-lo para o ensino da Educação Física. Na altura fiquei orgulhosa! Agora, peço-te desculpa Mano, como me arrependo de te ter metido nisto, estou envergonhada!
Há catorze anos, enquanto, segundo a Senhora D. Lurdes Rodrigues, ainda não era professora, participava em visitas de estudo, promovia acampamentos, fazia questão de ter equipas a treinar aos fins-de-semana, entre muitas outras coisas. Os alunos respeitavam-me, os meus colegas admiravam-me, os pais consultavam-me. E eu era feliz... Saia de casa para trabalhar onde gostava, para fazer o que sempre sonhará, para ensinar como tinha aprendido!
Agora, Sr.ª Ministra, agora que sou PROFESSORA, que sou obrigada a cumprir 35 horas de trabalho, agora que não tenho tempo nem dinheiro para educar os meus filhos. Agora, porque a Senhora resolveu mudar as regras a meio (Coisa que não se faz, nem aos alunos crianças!), estou a adaptar-me, não tenho outro remédio: Entrego os meus filhos a trabalhadores revoltados na esperança que façam com eles o que eu tento fazer com os deles. Agora que me intitula professora eu não ensino a lançar ao cesto ou a rematar com precisão à baliza, não chego, sequer a vestir-lhes os coletes...
Passo aulas inteiras a tentar que formem fila ou uma roda, a ensinar que enquanto um "burro" mais velho fala os outros devem, pelo menos, nessa altura, estar calados. Passo o tempo útil de uma aula prática a mandar deitar as pastilhas elásticas fora (o que não deixa de ser prática) e a explicar-lhes que quando eu queria dizer deitar fora a pastilha não era para a cuspirem no chão do Pavilhão... E aqueles que se recusam a deita-la fora porque ainda não perdeu o sabor?
(Coitados, afinal acabaram de gastar o dinheiro no bar que fica em frente à Escola para tirarem o cheiro do cigarro que o mesmo bar lhes vendeu e nunca ninguém lhes explicou o perigo que há ao mascar uma pastilha enquanto praticam exercício físico). E os que não tomam banho? E os que roubam ou agridem os colegas no balneário?
Falta disciplinar?
Desculpe, não marco!
O aluno faz a asneira, e eu é que sou castigada? Tenho que escrever a participação ao Director de Turma, tenho que reunir depois das aulas (E quem fica com os meus filhos?). Já percebeu a burocracia a que nos obriga? Já viu o tempo que demora a dar o castigo ao aluno? No seu tempo não lhe fez bem o estalo na hora certa?
Desculpe mas não me parece!
Pois eu agradeço todos os que levei!
Mas isto é apenas um desabafo, gosto de falar, discutir, argumentar com quem está no terreno e percebe, minimamente do que se fala, o que não é, com toda a certeza, o seu caso.
Bastava-lhe uma hora com o meu 5ºC... Uma hora! E eu não precisava de ter escrito tanto! E a minha Ministra (Não votei mas deram-ma... Como a médica de família, que detesto, mas que, também, me saiu na rifa e à qual devo estar agradecida porque há quem nem médico de família tenha ‐ outro assunto) entendia porque não conseguirei trabalhar até aos 65 anos, porque é injusto o que ganho e o que congelou, porque pode sair a sexta e até a sétima versão do ECD que eu nunca fui nem serei tão boa professora como era antes de mo chamar!
Lamento profundamente a verdade!
Um dia destes colocaram, no placar da Sala dos Professores, uma lista dos nossos nomes com a nova posição na Carreira Docente.
Fiquei a saber, Sr.ª Ministra, que para além de um novo escalão que inventou, sou, ao final de quinze anos de serviço, PROFESSORA.
Sim, a minha nova categoria, professora!
Que Querida! Obrigada!
E o que é que fui até agora?
Quando, no meu quinto ano de escolaridade, comecei a ter Educação Física, escolhi o meu futuro. Queria ser aquela professora, era aquilo que eu queria fazer o resto da minha vida...
Ensinar a brincar, impor regras com jogos, fazer entender que quando vestimos o colete da mesma cor lutamos pelos mesmos objectivos, independentemente de sermos ou não amigos, ciganos, pretos, más companhias, bons ou maus alunos. Compreender que ganhar ou perder é secundário desde que nos tenhamos esforçado por dar o nosso melhor. Aplicar tudo isto na vida quotidiana...
Foi a suar que eu aprendi, tinha a certeza de que era assim que eu queria ensinar! Era nova, tinha sonhos...
O meu irmão, seis anos mais novo, fez o Mestrado e na folha de Agradecimentos da sua Tese escreve o facto de ter sido eu a encaminhá-lo para o ensino da Educação Física. Na altura fiquei orgulhosa! Agora, peço-te desculpa Mano, como me arrependo de te ter metido nisto, estou envergonhada!
Há catorze anos, enquanto, segundo a Senhora D. Lurdes Rodrigues, ainda não era professora, participava em visitas de estudo, promovia acampamentos, fazia questão de ter equipas a treinar aos fins-de-semana, entre muitas outras coisas. Os alunos respeitavam-me, os meus colegas admiravam-me, os pais consultavam-me. E eu era feliz... Saia de casa para trabalhar onde gostava, para fazer o que sempre sonhará, para ensinar como tinha aprendido!
Agora, Sr.ª Ministra, agora que sou PROFESSORA, que sou obrigada a cumprir 35 horas de trabalho, agora que não tenho tempo nem dinheiro para educar os meus filhos. Agora, porque a Senhora resolveu mudar as regras a meio (Coisa que não se faz, nem aos alunos crianças!), estou a adaptar-me, não tenho outro remédio: Entrego os meus filhos a trabalhadores revoltados na esperança que façam com eles o que eu tento fazer com os deles. Agora que me intitula professora eu não ensino a lançar ao cesto ou a rematar com precisão à baliza, não chego, sequer a vestir-lhes os coletes...
Passo aulas inteiras a tentar que formem fila ou uma roda, a ensinar que enquanto um "burro" mais velho fala os outros devem, pelo menos, nessa altura, estar calados. Passo o tempo útil de uma aula prática a mandar deitar as pastilhas elásticas fora (o que não deixa de ser prática) e a explicar-lhes que quando eu queria dizer deitar fora a pastilha não era para a cuspirem no chão do Pavilhão... E aqueles que se recusam a deita-la fora porque ainda não perdeu o sabor?
(Coitados, afinal acabaram de gastar o dinheiro no bar que fica em frente à Escola para tirarem o cheiro do cigarro que o mesmo bar lhes vendeu e nunca ninguém lhes explicou o perigo que há ao mascar uma pastilha enquanto praticam exercício físico). E os que não tomam banho? E os que roubam ou agridem os colegas no balneário?
Falta disciplinar?
Desculpe, não marco!
O aluno faz a asneira, e eu é que sou castigada? Tenho que escrever a participação ao Director de Turma, tenho que reunir depois das aulas (E quem fica com os meus filhos?). Já percebeu a burocracia a que nos obriga? Já viu o tempo que demora a dar o castigo ao aluno? No seu tempo não lhe fez bem o estalo na hora certa?
Desculpe mas não me parece!
Pois eu agradeço todos os que levei!
Mas isto é apenas um desabafo, gosto de falar, discutir, argumentar com quem está no terreno e percebe, minimamente do que se fala, o que não é, com toda a certeza, o seu caso.
Bastava-lhe uma hora com o meu 5ºC... Uma hora! E eu não precisava de ter escrito tanto! E a minha Ministra (Não votei mas deram-ma... Como a médica de família, que detesto, mas que, também, me saiu na rifa e à qual devo estar agradecida porque há quem nem médico de família tenha ‐ outro assunto) entendia porque não conseguirei trabalhar até aos 65 anos, porque é injusto o que ganho e o que congelou, porque pode sair a sexta e até a sétima versão do ECD que eu nunca fui nem serei tão boa professora como era antes de mo chamar!
Lamento profundamente a verdade!
Ana Luísa Esperança
PQND da Escola EB 2,3 Dr. Pedro Barbosa
Viana do Castelo"
in ESCOLA INFORMAÇÃO
nº25 Junho/Julho 2007
PQND da Escola EB 2,3 Dr. Pedro Barbosa
Viana do Castelo"
in ESCOLA INFORMAÇÃO
nº25 Junho/Julho 2007
____________________________________________
Cara colega,
cruzei-me há dias com este seu texto, por entre conversas e revistas, em plena sala dos professores. E não podia deixar de lhe dar os parabéns por conseguir trazer para o papel este sentimento comum a tantos, tantos! Assim, permita-me, por favor, que a subscreva quando diz:
...Quando, no meu quinto ano de escolaridade, comecei a ter Educação Física, escolhi o meu futuro. Queria ser aquela professora, era aquilo que eu queria fazer o resto da minha vida...
Ensinar a brincar, impor regras com jogos, fazer entender que quando vestimos o colete da mesma cor lutamos pelos mesmos objectivos, independentemente de sermos ou não amigos, ciganos, pretos, más companhias, bons ou maus alunos. Compreender que ganhar ou perder é secundário desde que nos tenhamos esforçado por dar o nosso melhor. Aplicar tudo isto na vida quotidiana...
e que altere apenas o final da sua frase para:
Foi a suar que eu aprendi, tenho a certeza de que é assim que eu quero ensinar! Sou nova, ainda sonho!
setembro 27, 2007
Conjecturas
Uma das questões já aqui focadas anteriormente pelo Miguel Pinto e que marca este ano lectivo, vindo já detrás, é a existência de uma carga horária diminuida e diminuta para a disciplina de EF nos cursos de educação e formação, os CEF's e nos cursos profissionais do ensino secundário.
Que explicação válida a dar para tal situação?
Atrevo-me a tecer uma vaga conjectura: algumas formas de desporto moderno nasceram nos colégios educativos ingleses frequentados pelas classes "altas" da sociedade inglesa. Tinham por objectivos educar a juventude nos valores então considerados importantes e ser uma forma de lazer a que se podiam dar os filhos dessas classes, já que essas formas de desporto exerciam grande motivação sobre essas camadas de juventude. Os outros, os filhos das classes "baixas" ou não andavam nas escolas, ou nas que andavam tinham currículos meramente utilitaristas despidos de luxos como o desporto.
Será que agora, em Portugal, não acontecem "coisas" parecidas como essas, a uma escala amenizada? É que nos currículos gerais a EF existe com uma carga lectiva maior.
Mas por amor de Deus. Que não haja nenhuma cabecinha pensadora no nosso actual ministério da Educação, tão talhado para cortes, que se lembre de cortar mais uma vez no que não deve. É que também se pode nivelar por cima.
Que explicação válida a dar para tal situação?
Atrevo-me a tecer uma vaga conjectura: algumas formas de desporto moderno nasceram nos colégios educativos ingleses frequentados pelas classes "altas" da sociedade inglesa. Tinham por objectivos educar a juventude nos valores então considerados importantes e ser uma forma de lazer a que se podiam dar os filhos dessas classes, já que essas formas de desporto exerciam grande motivação sobre essas camadas de juventude. Os outros, os filhos das classes "baixas" ou não andavam nas escolas, ou nas que andavam tinham currículos meramente utilitaristas despidos de luxos como o desporto.
Será que agora, em Portugal, não acontecem "coisas" parecidas como essas, a uma escala amenizada? É que nos currículos gerais a EF existe com uma carga lectiva maior.
Mas por amor de Deus. Que não haja nenhuma cabecinha pensadora no nosso actual ministério da Educação, tão talhado para cortes, que se lembre de cortar mais uma vez no que não deve. É que também se pode nivelar por cima.
setembro 11, 2007
Não desistam. Tenham coragem.
Neste início de ano lectivo gostaria de partilhar as minhas preocupações face a alguns comportamentos que se têm vindo a registar na relação educativa, quer no seio da família quer no ambiente escolar – a indisciplina e a agressividade. Não posso estar mais de acordo com uma grande parte dos psicólogos e sociólogos que têm efectuado estudos e aprofundado este tipo de questões. Tem-se assistido a uma tremenda confusão de conceitos. A disciplina e os afectos não podem ser interpretados, nem pelos pais nem pelos professores, como sendo sinónimos de permissividade, passividade e facilitismo.
Educar é mostrar o caminho estabelecendo limites e exercendo a autoridade sem receios. É imprescindível dizer não quando é preciso. Às vezes é extremamente difícil mas é vital.
A autoridade conquista-se sempre que mantemos com os nossos filhos ou com os nossos alunos vínculos emocionais e afectivos partilhando, de forma honesta e justa, as nossas angústias e as nossas alegrias. É urgente humanizar os nossos jovens fazendo com que controlem a sua agressividade, sejam mais solidários e desenvolvam interesses, tornando-se mais interventivos e críticos.
Os jovens são naturalmente inseguros e, certamente, não são as atitudes de facilitismo, irresponsabilidade, impunidade, permissividade e descomprometimento que fazem deles indivíduos íntegros, motivados, emocionalmente estáveis e bem sucedidos.
Todos sabemos que não há receitas milagrosas mas, a verdade é que os padrões educativos, os critérios, a afectividade e o respeito pelas normas, estabelecidos e enraizados, desde o 1º dia, parecem resultar positivamente e contribuir para uma felicidade maior dos nossos jovens. Os adolescentes precisam de regras para se sentirem seguros. Estas podem funcionar como um estímulo desde que sejamos consistentes, consequentes e firmes no seu cumprimento. Vale a pena tentar, sobretudo se pensarmos naqueles jovens a quem só a Escola ousa dizer-lhes NÃO. Em casa ninguém lhes coloca limites, obrigações e regras. Ninguém se atreve a contrariá-los!!!
Poderão os professores ajudar os pais nesta missão?
Com todas as dificuldades e dúvidas não resisto em deixar um apelo a todos os educadores – Não deixem nem queiram ser apelidados de: “Educadores paralisados”; “prostitutos do afecto”; “frouxos”; “marionetas”, “ansiosos permissivos”; Srs Sim, Sim.
Vamos encarar os problemas de frente e, como diz Javier Urra, sejamos realmente Pais/Professores, o que é diferente de termos Filhos/Alunos.
Talvez valha a pena pensar nisto!!!
Clementina Campelo
Educar é mostrar o caminho estabelecendo limites e exercendo a autoridade sem receios. É imprescindível dizer não quando é preciso. Às vezes é extremamente difícil mas é vital.
A autoridade conquista-se sempre que mantemos com os nossos filhos ou com os nossos alunos vínculos emocionais e afectivos partilhando, de forma honesta e justa, as nossas angústias e as nossas alegrias. É urgente humanizar os nossos jovens fazendo com que controlem a sua agressividade, sejam mais solidários e desenvolvam interesses, tornando-se mais interventivos e críticos.
Os jovens são naturalmente inseguros e, certamente, não são as atitudes de facilitismo, irresponsabilidade, impunidade, permissividade e descomprometimento que fazem deles indivíduos íntegros, motivados, emocionalmente estáveis e bem sucedidos.
Todos sabemos que não há receitas milagrosas mas, a verdade é que os padrões educativos, os critérios, a afectividade e o respeito pelas normas, estabelecidos e enraizados, desde o 1º dia, parecem resultar positivamente e contribuir para uma felicidade maior dos nossos jovens. Os adolescentes precisam de regras para se sentirem seguros. Estas podem funcionar como um estímulo desde que sejamos consistentes, consequentes e firmes no seu cumprimento. Vale a pena tentar, sobretudo se pensarmos naqueles jovens a quem só a Escola ousa dizer-lhes NÃO. Em casa ninguém lhes coloca limites, obrigações e regras. Ninguém se atreve a contrariá-los!!!
Poderão os professores ajudar os pais nesta missão?
Com todas as dificuldades e dúvidas não resisto em deixar um apelo a todos os educadores – Não deixem nem queiram ser apelidados de: “Educadores paralisados”; “prostitutos do afecto”; “frouxos”; “marionetas”, “ansiosos permissivos”; Srs Sim, Sim.
Vamos encarar os problemas de frente e, como diz Javier Urra, sejamos realmente Pais/Professores, o que é diferente de termos Filhos/Alunos.
Talvez valha a pena pensar nisto!!!
Clementina Campelo
setembro 01, 2007
Reabertura
Reabrimos o blogue neste 1º dia de Setembro deixando para trás uma curta pausa lectiva, insuficiente para regenerar as feridas resultantes das alterações ao ECD e do 1º concurso para professores titulares.
Esta reentrada, algo anacrónica, não pode servir de pretexto para desviarmos o olhar das rotinas de planeamento e de preparação do ano lectivo. Há que enfrentar os obstáculos normativos noutros palcos redobrando se possível o vigor, e cuidar da nossa área disciplinar com o mesmo afinco de sempre. É este o meu desafio!
E enquanto aguardamos que o resto da equipa regresse com energia suficiente para nos provocar a reflexão, deixo-vos um assunto que me tem deixado bastante perplexo: a pretensa inexequibilidade na operacionalização dos programas de Educação Física dos cursos de educação e formação.
Como a cama é curta para se deitarem todas as disciplinas que fazem parte da matriz curricular destes cursos, houve necessidade de emagrecer os módulos de matéria até porque o tempo semanal de aulas está nos limites da razoabilidade. E onde encontro a inexequibilidade? Na dificuldade em viabilizar um conjunto de objectivos, nomeadamente, aqueles que se prendem com a aplicação dos princípios de treino e o desenvolvimento da Aptidão Física na perspectiva da Saúde (objectivos centrais para a disciplina).
Várias questões se poderiam colocar após esta constatação. Mas há uma questão central que tem de ser encarada de frente: Se as organizações profissionais de Educação Física e as sociedades científicas da mesma área, reivindicam para a disciplina de Educação Física um mínimo de três horas semanais para poder cumprir as incumbências pedagógicas que lhe estão atribuídas, será menos lesivo para os alunos reclamar junto da administração o respeito das tais 3 horas semanais esgotando o crédito horário anual (30 horas anuais) até ao final do 1º período? Ou será que há outras razões, além das razões corporativas que se prendem com a criação de horários, para aceitarmos, passivamente, os 45 minutos semanais distribuídos ao longo do ano lectivo?
Esta reentrada, algo anacrónica, não pode servir de pretexto para desviarmos o olhar das rotinas de planeamento e de preparação do ano lectivo. Há que enfrentar os obstáculos normativos noutros palcos redobrando se possível o vigor, e cuidar da nossa área disciplinar com o mesmo afinco de sempre. É este o meu desafio!
E enquanto aguardamos que o resto da equipa regresse com energia suficiente para nos provocar a reflexão, deixo-vos um assunto que me tem deixado bastante perplexo: a pretensa inexequibilidade na operacionalização dos programas de Educação Física dos cursos de educação e formação.
Como a cama é curta para se deitarem todas as disciplinas que fazem parte da matriz curricular destes cursos, houve necessidade de emagrecer os módulos de matéria até porque o tempo semanal de aulas está nos limites da razoabilidade. E onde encontro a inexequibilidade? Na dificuldade em viabilizar um conjunto de objectivos, nomeadamente, aqueles que se prendem com a aplicação dos princípios de treino e o desenvolvimento da Aptidão Física na perspectiva da Saúde (objectivos centrais para a disciplina).
Várias questões se poderiam colocar após esta constatação. Mas há uma questão central que tem de ser encarada de frente: Se as organizações profissionais de Educação Física e as sociedades científicas da mesma área, reivindicam para a disciplina de Educação Física um mínimo de três horas semanais para poder cumprir as incumbências pedagógicas que lhe estão atribuídas, será menos lesivo para os alunos reclamar junto da administração o respeito das tais 3 horas semanais esgotando o crédito horário anual (30 horas anuais) até ao final do 1º período? Ou será que há outras razões, além das razões corporativas que se prendem com a criação de horários, para aceitarmos, passivamente, os 45 minutos semanais distribuídos ao longo do ano lectivo?
julho 03, 2007
A Lei de Bases - a Actividade Física e o Desporto
Marcelo Rebelo de Sousa «Em defesa do Desporto»
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Na apresentação da obra «Em Defesa do Desporto», a qual apelidou de «apelo político», Marcelo Rebelo de Sousa referiu-se hoje em tom crítico à Lei de Bases da Actividade Física e do Desporto, afirmando que a divisão, precisamente, entre actividade desportiva e desporto, que ela preconiza, «é um pecado mortal, porque uma coisa não se pode dissociar da outra».
Na apresentação da obra «Em Defesa do Desporto», a qual apelidou de «apelo político», Marcelo Rebelo de Sousa referiu-se hoje em tom crítico à Lei de Bases da Actividade Física e do Desporto, afirmando que a divisão, precisamente, entre actividade desportiva e desporto, que ela preconiza, «é um pecado mortal, porque uma coisa não se pode dissociar da outra».
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O professor Marcelo Rebelo de Sousa falava na sede do C.O.P. no lançamento da obra «Em Defesa do Desporto – Mutações e Valores em Conflito», coordenada por Jorge Olímpio Bento e José Manuel Constantino e editada pela Editora Almedina, com o apoio do Comité Olímpico de Portugal.
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«Todas as pessoas deviam ler este livro, a começar pelos governantes. É preciso colocar o desporto na agenda política, porque é um tema da maior importância, quando se fala de Educação. O Desporto é uma boa causa para os nossos tempos», afirmou Marcelo Rebelo de Sousa, que considerou esta obra um primeiro passo muito relevante, que precisa de uma sequência, inclusive com o recurso a meios áudio-visuais.
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«É preciso não deixar arrefecer este entusiasmo», reforçou.
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O apresentador da obra, praticante diário de desporto, fez uma análise do carácter transversal, universal e secular do desporto, da Antiguidade ao pós-contemporâneo, defendendo-o como uma causa civilizacional em várias dimensões, com especial incidência na sua importância na educação e no ensino – que considerou subalternizarem em Portugal esta disciplina fundamental à vida humana.
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E concluiu que os diversos ensaios que compõem a obra ajudam a compreender e a estimular a defesa do desporto, apontando-o como um instrumento fundamental para estudantes, professores e desportistas em geral – no fundo, todas as pessoas, mesmo as que abominam o Desporto, mas acabam por fazer caminhadas regulares, nem que seja na luta contra a obesidade.
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Vicente Moura céptico
Na apresentação do livro coordenado por José Manuel Constantino e Jorge Olímpio Bento, o presidente do Comité Olímpico de Portugal considerou que a actual Lei de Bases da Actividade Física e do Desporto, «muito surpreendentemente, fractura o conceito integrador preconizado pelas instâncias da União Europeia, opondo a actividade física à prática desportiva regular e de alto rendimento».
Vicente Moura céptico
Na apresentação do livro coordenado por José Manuel Constantino e Jorge Olímpio Bento, o presidente do Comité Olímpico de Portugal considerou que a actual Lei de Bases da Actividade Física e do Desporto, «muito surpreendentemente, fractura o conceito integrador preconizado pelas instâncias da União Europeia, opondo a actividade física à prática desportiva regular e de alto rendimento».
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No seu discurso, Vicente Moura reafirmou que não se opõe à mudança, «muito pelo contrário, como atesta o percurso do Comité ao longo da última década», mas declara-se «contrário à estatização e partidarização do Desporto».
No seu discurso, Vicente Moura reafirmou que não se opõe à mudança, «muito pelo contrário, como atesta o percurso do Comité ao longo da última década», mas declara-se «contrário à estatização e partidarização do Desporto».
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O C.O.P. e o movimento associativo – declarou – «olham com cepticismo a deriva errática, conceptual e legislativa», concluindo que neste milénio pouco foi acrescentado e «persistem metas por alcançar e muitas etapas por cumprir, de que são exemplo o baixo índice de prática desportiva, atestado pelo Eurobarómetro».
O C.O.P. e o movimento associativo – declarou – «olham com cepticismo a deriva errática, conceptual e legislativa», concluindo que neste milénio pouco foi acrescentado e «persistem metas por alcançar e muitas etapas por cumprir, de que são exemplo o baixo índice de prática desportiva, atestado pelo Eurobarómetro».
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O dirigente olímpico defendeu mais uma vez um «desporto organizado, competitivo, sustentável, mas respeitador das regras, regulado, mas nunca estatizado, juridicamente ordenado, mas nunca amordaçado, fiscalizado como tudo na coisa pública, mas preservando autonomia gestionária e o respeito dos órgãos legitimados».
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«Em Defesa do Desporto»
Vicente Moura foi o autor do prefácio da obra agora publicada, uma colectânea de textos de «reputados especialistas do sector desportivo», a quem agradeceu por terem sabido associar o C.O.P. a esta produção.
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O dirigente olímpico defendeu mais uma vez um «desporto organizado, competitivo, sustentável, mas respeitador das regras, regulado, mas nunca estatizado, juridicamente ordenado, mas nunca amordaçado, fiscalizado como tudo na coisa pública, mas preservando autonomia gestionária e o respeito dos órgãos legitimados».
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«Em Defesa do Desporto»
Vicente Moura foi o autor do prefácio da obra agora publicada, uma colectânea de textos de «reputados especialistas do sector desportivo», a quem agradeceu por terem sabido associar o C.O.P. a esta produção.
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O C.O.P. não teve dúvidas em se associar aos autores, no quadro do Programa de Apoio à Produção Editorial, previsto no programa eleitoral para a XXIX Olimpíada – referiu.
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«Em defesa do Desporto – Mutações e Valores em Conflito» reúne ensaios de múltiplos autores que olham o Desporto «de modo a revelar a multiplicidade dos seus aspectos e a afirmar a sua valia pedagógica, cultural e social, antropológica e axiológica».
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A edição é coordenada por Jorge Olímpio Bento, Presidente da Faculdade de Desporto da Universidade do Porto e da Comissão Multidisciplinar do C.O.P., e por José Manuel Constantino, presidente da Oeiras Viva, membro da Academia Olímpica de Portugal e antigo presidente do Instituto do Desporto de Portugal.
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Os autores vêem o Desporto moderno como «emanação e expressão dos princípios básicos da sociedade industrial, tendo como referência cimeira e estruturante, o princípio do rendimento», tendo-se transformado numa «pluralidade de motivos e finalidades, de sujeitos e praticantes, de modelos e cenários», à medida que a própria sociedade evoluiu.
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junho 29, 2007
Para já, está nas nossas mãos...
Se para nós, professores de Educação Física, a fundamentação desta área disciplinar é indiscutível e todos nos esforçamos por fazer um trabalho sério, pedagógica e cientificamente, por vezes esquecemo-nos que, no seio da própria escola, esta realidade não é, de todo, conhecida.
De vez em quando, surgem aquelas “bocas” que a nós nos parecem antiquadas e ultrajantes para a nossa condição profissional: quando se discute a importância da avaliação nesta disciplina ou quando nos “chutam para canto" sem mais nem menos, a propósito duma qualquer questiúncula, relativamente à qual nem passa pela cabeça dos nossos colegas colocar a EF ao mesmo nível de qualquer outra. Sentimo-nos tentados a indignar-nos e a hostilizar de volta os nossos interlocutores.
Mas, colegas, frequentemente essa estratégia não é a melhor solução. Acreditem que na maioria das vezes este comportamento não pretende mesmo ser ofensivo.
E isto é verdade, não é só ingenuidade! É que muitos colegas não fazem ideia do que é a EF actualmente: dizem lembrar-se dumas pandeiretas e duns equipamentos desconfortáveis… Uma colega, há uns tempos disse-me que havia uns jogos de Futebol de rapazes e as raparigas iam até lá, para bater palmas. São estas as suas referências!
Quando nos ouvem falar em Patinagem, Hóquei em Patins, Escalada, Chá-chá-chá, até chegam a perguntar se isso se passa lá na escola!! Ou se é alguma actividade extracurricular! Já para não falar da admiração que expressam quando se apercebem que afinal, na Educação Física, também existem preocupações com a transmissão dos valores da nossa cultura, como é o caso dos nossos Jogos e Danças Tradicionais Portugueses !!
Há pouco tempo, em conversa com uma colega que eu prezo bastante, sobre as actividades desportivas da sua filha, registei a seguinte afirmação, que me deixou incrédula: “Para mim essas coisas da ginástica – referindo-se à vela – são completamente anti-natura!” Mas o facto é que se preocupa, que eu sei, que a filha pratique desporto, porque lhe reconhece benefícios. É evidente que lhe expliquei, com paciência, que anti-natura é a nossa capacidade actual em nos mantermos sentados durante horas e obrigarmos os miúdos a habituarem-se a esse estilo de vida. Se resultou? Espero que sim. Acredito que sim… e que são precisas estas intervenções localizadas, para mudar algumas mentalidades.
Mas o que mais me preocupa nem é isso: acho que neste momento todo o cuidado é pouco e parece-me que há grandes disparidades na postura nos nossos colegas de EF quanto à avaliação:
- uns assumem publicamente que não se importam de colar a nota de EF à média do aluno “para não o prejudicar”!!
- outros parece que estão a aproveitar o “poder” da avaliação para “mostrar quem manda”!!
Qual destas a mais perigosa para a implementação das medidas mais recentes…Qualquer uma delas por si só e ambas, em conjunto, podem deitar a perder aquilo que nos está a ser oferecido, neste momento. Para já, está nas nossas mãos, … mas pode deixar de estar!
Susana Marques
De vez em quando, surgem aquelas “bocas” que a nós nos parecem antiquadas e ultrajantes para a nossa condição profissional: quando se discute a importância da avaliação nesta disciplina ou quando nos “chutam para canto" sem mais nem menos, a propósito duma qualquer questiúncula, relativamente à qual nem passa pela cabeça dos nossos colegas colocar a EF ao mesmo nível de qualquer outra. Sentimo-nos tentados a indignar-nos e a hostilizar de volta os nossos interlocutores.
Mas, colegas, frequentemente essa estratégia não é a melhor solução. Acreditem que na maioria das vezes este comportamento não pretende mesmo ser ofensivo.
E isto é verdade, não é só ingenuidade! É que muitos colegas não fazem ideia do que é a EF actualmente: dizem lembrar-se dumas pandeiretas e duns equipamentos desconfortáveis… Uma colega, há uns tempos disse-me que havia uns jogos de Futebol de rapazes e as raparigas iam até lá, para bater palmas. São estas as suas referências!
Quando nos ouvem falar em Patinagem, Hóquei em Patins, Escalada, Chá-chá-chá, até chegam a perguntar se isso se passa lá na escola!! Ou se é alguma actividade extracurricular! Já para não falar da admiração que expressam quando se apercebem que afinal, na Educação Física, também existem preocupações com a transmissão dos valores da nossa cultura, como é o caso dos nossos Jogos e Danças Tradicionais Portugueses !!
Há pouco tempo, em conversa com uma colega que eu prezo bastante, sobre as actividades desportivas da sua filha, registei a seguinte afirmação, que me deixou incrédula: “Para mim essas coisas da ginástica – referindo-se à vela – são completamente anti-natura!” Mas o facto é que se preocupa, que eu sei, que a filha pratique desporto, porque lhe reconhece benefícios. É evidente que lhe expliquei, com paciência, que anti-natura é a nossa capacidade actual em nos mantermos sentados durante horas e obrigarmos os miúdos a habituarem-se a esse estilo de vida. Se resultou? Espero que sim. Acredito que sim… e que são precisas estas intervenções localizadas, para mudar algumas mentalidades.
Mas o que mais me preocupa nem é isso: acho que neste momento todo o cuidado é pouco e parece-me que há grandes disparidades na postura nos nossos colegas de EF quanto à avaliação:
- uns assumem publicamente que não se importam de colar a nota de EF à média do aluno “para não o prejudicar”!!
- outros parece que estão a aproveitar o “poder” da avaliação para “mostrar quem manda”!!
Qual destas a mais perigosa para a implementação das medidas mais recentes…Qualquer uma delas por si só e ambas, em conjunto, podem deitar a perder aquilo que nos está a ser oferecido, neste momento. Para já, está nas nossas mãos, … mas pode deixar de estar!
Susana Marques
junho 26, 2007
Cursos de Educação e Formação (CEF)
Só o nome dá para arrepiar. Educação e formação? Mas, adiante…
Estes cursos de formação profissional acelerada não dispensam a Educação Física. O CEF de electricistas de instalações, por exemplo, prevê um total de 30 horas anuais de Educação Física. A pergunta que se impõe, antes mesmo de conhecer a ambição dos autores dos programas, é a seguinte: ensinar o quê em 45 minutos de aula por semana?
Estou aberto a sugestões...
A escola do faz-de-conta está prestes a implodir!
Estes cursos de formação profissional acelerada não dispensam a Educação Física. O CEF de electricistas de instalações, por exemplo, prevê um total de 30 horas anuais de Educação Física. A pergunta que se impõe, antes mesmo de conhecer a ambição dos autores dos programas, é a seguinte: ensinar o quê em 45 minutos de aula por semana?
Estou aberto a sugestões...
A escola do faz-de-conta está prestes a implodir!
junho 22, 2007
SNEP
Em França, - devido à grande dinâmica autónoma dos professores de Educação Física em torno das questões que dizem respeito à profissão e à EF - , desde há dezenas de anos que existe um sindicato nacional dos professores de EF, o SNEP.
Actualmente em luta dado que vários dos direitos dos professores e das horas dedicadas à EF e ao Desporto Escolar estão a ser cortadas, este sindicato possui um site na internet que pode ser visitado aqui.
Mas não se pense que este sindicato tem uma visão corporativa e isolada da profissão e da EF. Encontra-se solidáriamente unido dentro de uma Federação de Sindicatos da Educação, a FSU, que é a mais representativa das estruturas sindicais docentes em França e que representa todos os níveis da Educação.
É realmente de relevar e aplaudir que professores de uma área específica tenham conseguido, pela capacidade e dinâmica historicamente adquirida, apresentar uma capacidade organizativa como esta.
Actualmente em luta dado que vários dos direitos dos professores e das horas dedicadas à EF e ao Desporto Escolar estão a ser cortadas, este sindicato possui um site na internet que pode ser visitado aqui.
Mas não se pense que este sindicato tem uma visão corporativa e isolada da profissão e da EF. Encontra-se solidáriamente unido dentro de uma Federação de Sindicatos da Educação, a FSU, que é a mais representativa das estruturas sindicais docentes em França e que representa todos os níveis da Educação.
É realmente de relevar e aplaudir que professores de uma área específica tenham conseguido, pela capacidade e dinâmica historicamente adquirida, apresentar uma capacidade organizativa como esta.
junho 15, 2007
Ensino do jogo
Com a publicação do livro "O ensino dos jogos desportivos" em 1994, o Centro de Estudos dos Jogos Desportivos (CEJD) da Faculdade de Desporto da Universidade do Porto deu voz a um movimento de renovação das ideias e das práticas de ensino dos jogos desportivos colectivos iniciado no âmbito das didácticas e das metodologias especificas das respectivas modalidades desportivas, o basquetebol, o futebol, o voleibol e o andebol. A ambição era então, tal como hoje, colocarmo-nos na linha da frente do esforço de reconceptualização e de investigação do ensino dos jogos, acompanhar as correntes mais avançadas e, sobretudo, influenciar as práticas de ensino nas escolas e nos clubes desportivos.
A nível internacional, o Modelo de Ensino de Jogos para a Compreensão (Teaching Games for Understanding – TGfU) constituiu-se como uma poderosa força de influência e um fórum de debate e de pesquisa sobre os programas, os propósitos, os conteúdos e os processos de ensino e os problemas de aprendizagem dos jogos desportivos, realizando sob seu lema uma conferência internacional, cuja quarta edição será organizada no próximo ano pela Universidade de British Columbia em Vancouver.
Outra referência capital para o movimento de reforma do ensino dos jogos é o modelo de educação desportiva, concebido por Siedentop, cuja aplicação tem sido também investigada em diferentes contextos de ensino. Em ambos os modelos, as linhas de ruptura com as abordagens mais tradicionais situam-se não apenas ao nível dos conteúdos a privilegiar, mas também ao nível dos métodos e estratégias de instrução, ao nível da configuração dos papéis e responsabilidades de quem ensina e quem aprende e ao nível dos contextos e cenários de aprendizagem. Evitando a cristalização destes modelos, a investigação tem procurado desenvolvê-los e refiná-los, assim como tem ensaiado modelos híbridos, adaptados às especificidades culturais e sociais de diferentes países.
Para além destes modelos curriculares que emergem e se desenvolvem no seio da comunidade académica através dos ensaios, da crítica e da investigação empírica, temos as concepções pessoais e as práticas de ensino dos jogos que os professores e treinadores desenvolvem a partir das perspectivas que filtram dos modelos curriculares formais, das diferentes tradições de ensino dos jogos, e das soluções que constroem a partir da sua experiência. A aproximação entre os modelos curriculares formais e os modelos pessoais de ensino dos jogos reclama a aproximação, o diálogo e o conhecimento mútuo das perspectivas de quem está primordialmente interessado em estudar o ensino do jogo e quem tem a incumbência de efectivamente o ensinar. A investigação das práticas de ensino dos jogos, indagando os propósitos e os valores subjacentes, a natureza e arranjo e os contextos sociais das actividades e tarefas de aprendizagem, de treino e de competição, as concepções, os papéis e as avaliações dos diferentes intervenientes no processo de ensino e aprendizagem, pode gerar conhecimento de grande relevância para a melhoria do ensino e para uma melhor compreensão do potencial educativo dos jogos desportivos.
Amândio Graça
PS: resumo da conferência a apresentar ao I Congresso Internacional dos Jogos Desportivos, Faculdade de Desporto, Universidade do Porto, 12 a 14 de Julho de 2007
http://www.fade.up.pt/congressojd/
A nível internacional, o Modelo de Ensino de Jogos para a Compreensão (Teaching Games for Understanding – TGfU) constituiu-se como uma poderosa força de influência e um fórum de debate e de pesquisa sobre os programas, os propósitos, os conteúdos e os processos de ensino e os problemas de aprendizagem dos jogos desportivos, realizando sob seu lema uma conferência internacional, cuja quarta edição será organizada no próximo ano pela Universidade de British Columbia em Vancouver.
Outra referência capital para o movimento de reforma do ensino dos jogos é o modelo de educação desportiva, concebido por Siedentop, cuja aplicação tem sido também investigada em diferentes contextos de ensino. Em ambos os modelos, as linhas de ruptura com as abordagens mais tradicionais situam-se não apenas ao nível dos conteúdos a privilegiar, mas também ao nível dos métodos e estratégias de instrução, ao nível da configuração dos papéis e responsabilidades de quem ensina e quem aprende e ao nível dos contextos e cenários de aprendizagem. Evitando a cristalização destes modelos, a investigação tem procurado desenvolvê-los e refiná-los, assim como tem ensaiado modelos híbridos, adaptados às especificidades culturais e sociais de diferentes países.
Para além destes modelos curriculares que emergem e se desenvolvem no seio da comunidade académica através dos ensaios, da crítica e da investigação empírica, temos as concepções pessoais e as práticas de ensino dos jogos que os professores e treinadores desenvolvem a partir das perspectivas que filtram dos modelos curriculares formais, das diferentes tradições de ensino dos jogos, e das soluções que constroem a partir da sua experiência. A aproximação entre os modelos curriculares formais e os modelos pessoais de ensino dos jogos reclama a aproximação, o diálogo e o conhecimento mútuo das perspectivas de quem está primordialmente interessado em estudar o ensino do jogo e quem tem a incumbência de efectivamente o ensinar. A investigação das práticas de ensino dos jogos, indagando os propósitos e os valores subjacentes, a natureza e arranjo e os contextos sociais das actividades e tarefas de aprendizagem, de treino e de competição, as concepções, os papéis e as avaliações dos diferentes intervenientes no processo de ensino e aprendizagem, pode gerar conhecimento de grande relevância para a melhoria do ensino e para uma melhor compreensão do potencial educativo dos jogos desportivos.
Amândio Graça
PS: resumo da conferência a apresentar ao I Congresso Internacional dos Jogos Desportivos, Faculdade de Desporto, Universidade do Porto, 12 a 14 de Julho de 2007
http://www.fade.up.pt/congressojd/
junho 07, 2007
Sugestão de sites sobre TGFU.
Tim Hooper é um professor universitário canadiano que disponibiliza já, há varios anos, um site onde se encontram muitos textos e materiais relativos à EF. Este professor está muito envolvido na corrente TGFU, Teaching Games for Understanding, que é uma corrente "nova" de ensino dos jogos, lançada no início dos anos 80 por professores ingleses e que trouxe uma nova respiração à forma de ensinar os jogos alternativa à forma tecnicista tradicional.
Eu sou um fã desta corrente, digo desde já. Nela encontro muito de interessante para o trabalho e a atitude dos professores de EF.
A ligação para para o site de Tim Hooper.
Outras ligações interessantes sobre esta corrente:
-um site com videos interessantíssimos de um fundador desta corrente: Thorpe.
-um site que pretende ser a divulgação institucional da corrente. Neste site pode-se encontrar o 1.º livro em .pdf sobre a corrente, assim como vários artigos fundadores.
Depois de lá passearem, , caso não os conheçam, talvez possamos falar um pouco sobre a corrente.
Eu sou um fã desta corrente, digo desde já. Nela encontro muito de interessante para o trabalho e a atitude dos professores de EF.
A ligação para para o site de Tim Hooper.
Outras ligações interessantes sobre esta corrente:
-um site com videos interessantíssimos de um fundador desta corrente: Thorpe.
-um site que pretende ser a divulgação institucional da corrente. Neste site pode-se encontrar o 1.º livro em .pdf sobre a corrente, assim como vários artigos fundadores.
Depois de lá passearem, , caso não os conheçam, talvez possamos falar um pouco sobre a corrente.
maio 29, 2007
Medida sensata!
Comunicado do Conselho de Ministros de 24 de Maio de 2007
"Decreto-Lei que procede à segunda alteração ao Decreto-Lei n.º 74/2004, de 26 de Março, estabelecendo novas matrizes para os currículos dos cursos científico-humanísticos do ensino secundário
[...] Consagra-se, ainda, o fim da redução da carga horária semanal na disciplina de Educação Física, por se considerar estarem reunidas as condições logísticas para que esta disciplina funcione com duas unidades lectivas semanais.
[...] Estes reajustamentos ao currículo, que manterão o actual regime de avaliação, entrarão em vigor para o 10º ano no próximo ano lectivo e sucessivamente nos anos seguintes para os 11º e 12º anos."
"Decreto-Lei que procede à segunda alteração ao Decreto-Lei n.º 74/2004, de 26 de Março, estabelecendo novas matrizes para os currículos dos cursos científico-humanísticos do ensino secundário
[...] Consagra-se, ainda, o fim da redução da carga horária semanal na disciplina de Educação Física, por se considerar estarem reunidas as condições logísticas para que esta disciplina funcione com duas unidades lectivas semanais.
[...] Estes reajustamentos ao currículo, que manterão o actual regime de avaliação, entrarão em vigor para o 10º ano no próximo ano lectivo e sucessivamente nos anos seguintes para os 11º e 12º anos."
Escola Pública quem és tu?
Apesar dos momentos difíceis que a Escola e o Sistema Educativo atravessam continuo a gostar de ensinar. Sou professora por convicção. E é exactamente porque vivo a Escola que estou preocupada com a confusão que se está a instalar no sistema educativo. Falo de programas, de rigor, de motivação, de organização, de igualdade, de estigma, de criatividade e de outras “coisas” que se relacionam com o “pulsar” da escola e da comunidade escolar. Antes que, também eu comece a ficar confusa, gostava de lançar algumas questões para partilhar a minha angústia face ao que está a acontecer. Não podemos assistir de “braços cruzados” àquilo que diz respeito a todos nós.
Julgo ter havido pouca criatividade na elaboração dos currículos destinados aos alunos com dificuldades. Sim, digo com dificuldades porque não adianta escamotear este facto. Será correcto submeter estes alunos a um mesmo currículo? Quem deverá decidir? O aluno e o Encarregado de Educação? Terão eles argumentos para esta decisão? Este é um problema que se agrava quando falamos dos alunos que não gostam da Escola, isto é, aqueles que não querem aprender. O que fazer com estes alunos? Se é preciso mantê-los na Escola, porque não lhes ensinamos outras “coisas”? Porque insistem em querer ensinar-lhes Matemática se a Aritmética pode ser mais importante para a suas vidas? Este é só um exemplo, poderíamos arranjar muitos outros. Como podem estes alunos ter sucesso? Por favor, não confundam sucesso com nota positiva para passar. A isto chama-se camuflagem do insucesso. Este não é um caminho sério.
Falando de estigma, alguns agentes educativos, não concordam com a formação de turmas homogéneas. Não é esta uma forma de respeitar os ritmos de aprendizagem dos alunos? Não estaremos a descurar os bons e os muito bons? Não estará a Escola Pública de costas voltadas para os alunos bons? Não estará a Escola a pautar os seus horizontes e a nivelar o seu rigor por baixo? Penso que a Escola e os Professores não podem conduzir a sua acção só, ou na maioria das vezes, em função dos alunos problemáticos e dos alunos com dificuldades de aprendizagem. A Escola tem de ter um rumo bem definido e não pode desviar-se nem demitir-se das suas funções.
Clementina Campelo
- Porque continuam, os nossos governantes, a ignorar que existe uma grande percentagem de alunos a quem a escola e o gosto por aprender pouco ou nada dizem?
- Porque insistem em querer ensinar conteúdos, embora falem de objectivos e competências, que se afastam dos reais interesses e motivações dos seus destinatários? Conhecerão os fazedores dos programas a Escola real?
- Estará a Escola verdadeiramente empenhada em promover aprendizagens significativas para os alunos?
- Não será desejável que o rigor e a exigência da Escola coabitem com a diferença?
- O que mudou realmente na Escola?
- Quem mudou na Escola?
- O que é necessário mudar na Escola?
- O que precisamos de fazer para que a Escola mude efectivamente?
Julgo ter havido pouca criatividade na elaboração dos currículos destinados aos alunos com dificuldades. Sim, digo com dificuldades porque não adianta escamotear este facto. Será correcto submeter estes alunos a um mesmo currículo? Quem deverá decidir? O aluno e o Encarregado de Educação? Terão eles argumentos para esta decisão? Este é um problema que se agrava quando falamos dos alunos que não gostam da Escola, isto é, aqueles que não querem aprender. O que fazer com estes alunos? Se é preciso mantê-los na Escola, porque não lhes ensinamos outras “coisas”? Porque insistem em querer ensinar-lhes Matemática se a Aritmética pode ser mais importante para a suas vidas? Este é só um exemplo, poderíamos arranjar muitos outros. Como podem estes alunos ter sucesso? Por favor, não confundam sucesso com nota positiva para passar. A isto chama-se camuflagem do insucesso. Este não é um caminho sério.
Falando de estigma, alguns agentes educativos, não concordam com a formação de turmas homogéneas. Não é esta uma forma de respeitar os ritmos de aprendizagem dos alunos? Não estaremos a descurar os bons e os muito bons? Não estará a Escola Pública de costas voltadas para os alunos bons? Não estará a Escola a pautar os seus horizontes e a nivelar o seu rigor por baixo? Penso que a Escola e os Professores não podem conduzir a sua acção só, ou na maioria das vezes, em função dos alunos problemáticos e dos alunos com dificuldades de aprendizagem. A Escola tem de ter um rumo bem definido e não pode desviar-se nem demitir-se das suas funções.
Clementina Campelo
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