julho 12, 2006

Pausa

Retomaremos o debate, presumo que será ainda mais animado, em Setembro. Que esta pausa regenere o entusiasmo e o prazer da discussão.
Até breve!

julho 02, 2006

Alienar uma aula de Educação Física…

O Decreto-Lei 6/2001 [aprova a reorganização curricular do ensino básico] introduz pela primeira vez a noção do tempo útil de aula. Como garantir em Educação Física (EF) esta situação?

Esta questão foi colocada no Fórum de Reorganização Curricular promovido pelo DEB na época em que se realizava a discussão pública do referido documento. Discutia-se a introdução de blocos lectivos de 90 minutos e a questão foi suscitada porque à disciplina de EF estava reservada uma carga horária semanal de bloco e meio.

Um dos colegas participantes no fórum evocara Carreiro da Costa [Horizonte nº1 (1984)] que citando Pieron aclarava as dimensões da noção de tempo no processo ensino-aprendizagem. Por seu lado, o próprio Pieron (1982) citava outro autor, Zakajsek, que constatara que ¼ do tempo programa era gasto no balneário.
Assim, segundo o Pieron, tempo útil (ou tempo funcional) é o tempo que resta depois de descontado o período que os alunos despendem no balneário. É o tempo que os alunos realmente passam no ginásio ou no campo de jogos.

Um olhar empírico para a forma como a questão foi resolvida pelas escolas encontra, arrisco a dizê-lo – invariavelmente -, uma solução administrativa que não garante o cumprimento do tempo útil da aula de EF.
No ½ bloco de aula semanal a que os alunos têm direito, há muitos casos [e bastava um para ser grave] em que os alunos permanecem no ginásio/pavilhão/campo de jogos um tempo inferior a 30 minutos.

A redução perversa do tempo de aula de Educação Física é, a meu ver, um factor de alienação da aula de Educação Física.
O que fazer para inverter esta situação?
Como transformar este tempo de aula num tempo útil para o aluno?
Quais as implicações na gestão do programa de Educação Física?

junho 21, 2006

Código de ética profissional

Em Novembro realizar-se-á o VII Congresso Nacional de Educação Física. Um dos objectivos gerais, traçados, é o de “Estabelecer as bases de um código de ética profissional comum às dimensões da Educação Física e orientar o seu desenvolvimento”. (in: http://educafisica.blogspot.com/)

Sobre este assunto teço algumas considerações que espero sejam ponto de partida para uma troca de impressões sobre o tema.

Será que a elaboração de um código ético, definindo, como expressão escrita, a deontologia profissional e a sujeição de uma classe a esse código, torna pública a garantia da sua honestidade, assegura o prestígio da sua profissão, contituindo a expressão de uma autonomia profissional, e é inseparável de uma conquista social e profissional de dignidade e respeitabilidade?

Será que a elaboração dum código, deste tipo, não deveria abranger e solicitar a participação do maior número de profissionais possível, já que a construção de um quadro de referências profissionais e deontológicas, com o objectivo de estabelecer parâmetros para a definição de um estatuto profissional, só terá razão de ser e só será viável, na medida em que for o resultado, da reflexão e do pensamento de uma classe e, na medida em que os seus profissionais o sentirem como uma imanação e uma necessidade suas?

Contudo, um código, não pode surgir como gerador de princípios; terá sim, que ser elaborado, consignando, no seu texto, a salvaguarda dos princípios, já defendidos pela classe, na sua história profissional. Tem que considerar, em simultâneo, os valores do indivíduo e os da classe, não podendo, no entanto, ser limitativo da liberdade de acção profissional. Deve ser capaz de, no seu texto, conter os princípios gerais que garantam a possibilidade de "tornar possível o que cada um traz em si" e ao mesmo tempo conter um conjunto de normas que salvaguardem a "moral da profissão"

Todavia, considerando que "os valores são verbais, não são substantivos, são dinâmicos, não cristalizam", é necessário prever que o código aprovado não é imutável e que portanto, deverá ser sujeito a debates periódicos, para reequacionar as normas nele inscritas e adaptá-las às diferentes variáveis da profissão. Por esta razão, um código deontológico não pode ser considerado como um ponto de partida, nem ser visto como um ponto de chegada, terá que ser sempre um ponto de passagem.

Também não podemos esquecer que, um código ético, não resolve problemas de quebras deontológicas, apenas as consciencializa, as delimita e as previne, por reflexão e conhecimento delas, e que a capacidade, das nossas organizações, de gerir a aplicação de um código profissional, é muito limitada dado que a sua influência se poderá estender unicamente aos seus sócios e, as sansões que possam ser administradas a um prevericador grave, nunca lhe impedirão o exercício da profissão, nem o afastarão da classe profissional.

Maria Lisboa

junho 11, 2006

Distracção, concordância, lentidão ou esperar para ver?

Há algumas semanas, a respeito do chamado Enriquecimento Curricular no 1.º Ciclo do Ensino Básico, a EF ou a chamada Expressão Físico-motora neste nível de ensino, sofreu uma revolução conceptual. Passou de obrigatória a opcional. De dentro das 25 horas terá saltado, assim como outras expressões (a expressão nunca me pareceu feliz) para as horas de Enriquecimento. O nome também poderá ter mudado, dependendo das opções existentes.
Depois de mais de um século de afirmação legal e nominal combinada com um desprezo prático, esperemos que este desprezo legislativo-temporal possa trazer algum interesse prático. Por mim ponho muitas reservas quanto ao sucedido.
Admira-me também que os professores de EF e as suas organizações ainda não se tenham pronunciado activamente. O que se passa? É distracção, concordância, lentidão, ou esperar para ver?

junho 06, 2006

666


depois de ler e ouvir as ultimas declarações da ministra sobre o "sistema" e sobretudo sobre os professores... julgo de digna homenagem o cartoon do Bandeira (hoje no DN)...

hoje, dia 6.06.2006... nada mais nada menos... que o famoso...

...Dia da Besta, ora nem mais.

(clicar na imagem para uma melhor visão da best..cof, cof.. ial.. cof.. imagem)

junho 04, 2006

Educação Física… até quando?

Não existirá uma tertúlia dedicada às questões do desporto e da educação física que não se tenha entretido, pelo menos uma vez, com a adequação ou falta dela da designação Educação Física.
Esta semana recebi a revista Horizonte e vi o assunto retomado pelo colega José Brás da Universidade Lusófona num artigo que intitulou “O terrorismo linguístico na Educação Física” [in: Horizonte, Vol. XXI, nº 122, pp. 37-38]. A morte da Educação Física para ser colocada em seu lugar a educação desportiva é uma medida que se quer apresentar como inovadora mas é, segundo este autor, um claro retrocesso: “O conceito de educação desportiva é mais pobre e limitado do que o de Educação Física”.
Num outro lado da contenda, Manuel Sérgio há muito que reclama o desajustamento desta designação e, muito recentemente, a Faculdade que me licenciou, a FCDEF [ex-ISEF], sofreu uma metamorfose estilística [e não só] deixando cair a Educação Física para se indexar unicamente ao Desporto.

Esta questão não se esgota numa mera operação de semântica. Há fissuras que se abrem e que envolvem questões políticas de afirmação de um determinado projecto universitário [Bolonha acicata a competição da instituição universitária], de uma identidade profissional projectada numa determinada denominação, de uma ideia de desenvolvimento para uma área social tão relevante como é a área da actividade física e desportiva.
O tempo é de ruptura, percebe-se. Para além da clarificação destas questões há que tentar perceber os efeitos deste vendaval discursivo na disciplina de Educação Física escolar.
Educação Física… até quando?

maio 29, 2006

da carga horária às aulas de apoio a EF

Há quem diga que a questão do aumento ou não da carga horária da disciplina não é fundamental porque mais do que a intensidade e o volume da carga o que importa é a qualidade. Outros acham-na perigosa porque receiam que os resultados do aumento da carga horária não produza os efeitos desejados e através desses resultados negativos, possamos recuar ainda mais do que a posição que temos actualmente.

As vozes que defendem o aumento da carga semanal argumentam com os indicadores e sugestões imanadas de organizações de renome (tais como o CDC dos EUA, ou a Organização Mundial de Saúde) que apontam, por questões de saúde, para que haja actividade física diária, com uma duração de, no mínimo, 30 minutos e com uma intensidade moderada a intensa. Outros, ainda, defendem que a actividade física não deve ser da única responsabilidade da escola, pelo que está bom assim e a sociedade que se organize, criando outras ofertas de actividade física.

A minha opinião é que, mais importante do que aumentar a carga horária é fundamental criar apoios à disciplina, onde os alunos possam recuperar o tempo perdido e superar limitações físicas capazes de os desmotivar para a adopção de estilos de vida activos. Aulas de apoio divertidas, dadas por professores sorridentes capazes de tornar essa hora diária num momento motivador, onde o aluno ganhe o gosto da prática pela prática.

maio 17, 2006

Alargamento da ocupação plena dos tempos escolares ao ensino secundário

“O alargamento ao ensino secundário da ocupação educativa dos alunos em todo o horário escolar contribui não só para a melhoraria dos resultados escolares, mas também para a criação de uma cultura de rigor e de exigência.”
(In http://www.professores.pt/)


“Para levar por diante esta medida na prática, as escolas secundárias vão beneficiar da experiência acumulada nos estabelecimentos do ensino básico, tendo em conta os ajustamentos que tiveram necessidade de efectuar e as soluções que encontraram para ocupação dos alunos quando faltava um professor. “

Entre as actividades educativas previstas na ocupação dos alunos surgem as aulas de substituição.
Na escola onde trabalho (eb 2,3), as aulas de substituição foram implementadas no presente ano lectivo e o grau de satisfação quer dos professores quer dos alunos é reduzido.
Para procurarmos “beneficiar da experiência acumulada” das escolas que já implementaram estas medidas, penso que poderia ser interessante partilharmos aquilo que sabemos do que é que se vai fazendo por aí.

maio 15, 2006

Um espaço onde se debata a Educação Física e o Desporto sobre vários olhares, alguns deles com um vastíssimo currículo é por si só de aplaudir. O aplauso é maior quando essas personalidades despendem tempo do pouco que lhe resta e que provavelmente deveria ser para a família. É com enorme orgulho que recebi o convite para me juntar ao grupo e confesso que só não tenho medo de não estar ao nível do blogue, porque recebi uma educação que me ensinou a olhar para os desafios como uma oportunidade de crescer.

Debater esta temática é fundamental por várias razões, desde combater os dogmas que, para o bem ou para o mal, continuam a ser isso mesmo, dogmas e que, por essa razão raramente são questionados. A reflexão que se fará por aqui só faz sentido se nos libertarmos e questionar mesmo o que é dado como adquirido. Questionar por exemplo: se o desporto faz bem; se é legítimo pedir o mesmo fair-play a jogadores envolvidos num espectáculo de milhões, da mesma forma como se pede num jogo de cadetes; questionar certezas que já foram mas que entretanto as mudanças societais exigem a sua reformulação.

Na minha opinião discutir a Educação Física e Desporto de peito e coração aberto à entrada de outras opiniões, outros ares, vale a pena. Pena será, se este blogue se tornar SÒ num sítio de mulheres e homens do desporto, pois fechar-se-á antes de se ter aberto, diminuindo drásticamente o seu potencial interventivo. Se isso acontecer, a discussão terá a mesma importância da chuva que choveu há cem anos e ainda por cima não passou de um orvalho que nem regou as ervas daninhas da relva dos meus tetra-avós.

maio 13, 2006

1º olhar

Recorro à actualidade para lançar o meu primeiro olhar. A educação física tem sido objecto de discussão no fórum promovido pela Direcção Geral da Inovação e Desenvolvimento Curricular, criado expressamente para debater a reorganização curricular do ensino secundário. Há um elemento novo nesta reorganização e que se prende com o facto da classificação dos alunos à disciplina de educação física ser considerada para efeitos de transição de ano e de cálculo da média de acesso ao ensino superior.

Quais os argumentos que se devem evocar para legitimar a alteração [passível de ainda ser rectificada]?

Quais os efeitos da alteração na afinidade dos alunos com a disciplina?

Será sustentável a afirmação de que os professores de educação física terão outro comprometimento com a disciplina?

maio 12, 2006

Inauguração

Vejamos como esta definição de blogosfera se acomoda ao momento de criação que agora se inicia:
A blogosfera, assim como é chamado o conjunto de blogs, vai agregando diversas esferas, que se “enroscam”, se ligam com toda a força e efemeridade da internet, construindo assim uma rede nada esférica, que agrega toda forma de expressão, todo objectivo, toda forma de ver o mundo. (..)” (Adriane)

O blogue Educação Física e Desporto - Diferentes Olhares? emerge deste movimento amplo de discussão e de expressão da cidadania. Será esta a primeira razão pela qual 5 profissionais de educação física decidiram juntar-se dirigindo os seus olhares para uma temática que lhes é cara.
A segunda razão invade o domínio da autonomia. Mulheres e homens de acção, os professores de EF e do Desporto, não costumam debater publicamente as suas questões. Muito fica no recato privado das práticas, deixando o espaço público para as fórmulas, quantas vezes dogmáticas de alguns, poucos, teorizadores. Trazer as questões da EF e Desporto para o debate público é um convite à crítica, ao esclarecimento e à agregação de novos actores/autores.
A terceira razão pela qual decidimos partilhar este espaço é de ordem afectiva: O prazer e a paixão de pertencer a um “sub-grupo de criadores do Homem” parecem ser os denominadores comuns deste pequeno grupo de companheiros de viagem.

Os constrangimentos que derivam da nossa actividade profissional, que se presume ser intensa, determinaram a metodologia a seguir. Assim, cada um dos elementos da equipa desenvolverá, cíclica e rotativamente, um assunto à sua escolha. Contudo, a ideia da rotatividade não exclui a possibilidade de cada um dos membros residentes acrescentar, sempre que o desejar, novos assuntos e novas entradas.

Antes de concluir esta pequena apresentação do nosso blogue, não resisto a uma pequena provocação: Apelo à participação de todos, professores de educação física e de outras áreas disciplinares, quanto mais não seja para provarmos que a vida é feita de contrastes.